O Brasil e os GEEs
Joel dos Santos Guimarães
FRONTEIRA SUL
[26/08/2011]
O Brasil é o quarto maior emissor mundial de Gases de Efeito Estufa (GEEs), atrás apenas dos Estados Unidos, China e União Européia. É o que revela o artigo dos economistas André Albuquerque Sant’Anna e Frederico Costa Carvalho, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), publicado na edição de agosto do boletim Visão do Desenvolvimento.
No levantamento, os economistas mostram ainda que Estados Unidos, China, União Européia, Brasil, Indonésia, Rússia, Japão, Índia, Alemanha e Canadá respondem por 75% emissões mundiais de GEEs.
Diferencial
O artigo chama atenção para o fato de que, apesar de ser um dos maiores emissores de Gases de Efeito Estufa, o Brasil tem um padrão de emissão variado em relação aos maiores emissores. Se as emissões da China e dos EUA, por exemplo, estão relacionadas à energia, no caso brasileiro elas estão associadas à agropecuária e ao desmatamento. De acordo com Albuquerque e Costa Carvalho, apenas a Indonésia tem um perfil semelhante ao brasileiro: “Os demais países têm sua matriz de emissão associada ao uso energético de combustíveis fósseis,como petróleo e carvão”, contam os economistas.
Redução com baixo custo
Para eles, diante da disparidade de emissões entre o Brasil e o resto do mundo, o país tem condições de reduzir substancialmente seu nível atual de emissões, a um custo relativamente baixo, apenas com a implantação de políticas e programas de redução do desmatamento e do uso racional da terra.
Por isso, o Brasil tem uma clara vantagem comparativa quando se trata de adotar medidas para a redução de emissões de GEEs. É que mais de 80% dessas emisssões tem um baixo custo de redução, já que estão associadas ao desmatamento.
Longo prazo
Diante desse quadro, os economistas entendem que o país deve aproveitar as oportunidades de curto prazo, sem deixar de planejar o longo prazo.
Inovar é preciso!
Os autores do artigo lamentam o fato de que o Brasil, apesar das vantagens comparativas em diferentes fontes de energia renovável, não faz nenhum grande esforço de inovação relacionado a mudanças climáticas. Prova disso é que a participação brasileira nas patentes relativas a mudanças climáticas é menor que a média mundial.
Para os economistas, como patentes representam uma medida de sucesso no desnvolvimento tecnológico, é evidente que o país precisa aumentar seus investimentos em tecnologias para mudanças climáticas. Entre 2005 e o 2008, o Brasil foi responsável por apenas 0,2% das patentes relativas a mudanças climáticas no mundo.
Devagar, quase parando
Se no campo dessas pesquisas o Brasil está devagar quase parando, diversos países já estão estabelecendo políticas nesse campo. “Na Europa, por exemplo, existe um mercado de carbono funcionando há alguns anos. Em alguns países, como a Suécia, há um imposto por emissão de carbono”, contam os economistas.
De acordo com eles, a expectativa é de que esse tipo de imposto seja adotado pelos Estados Unidos, pelo menos em alguns estados. Outro países, como Alemanha,Coréia do Sul e Japão, subsidiam pesquisa e desenvolvimento (P&D) em tecnologias de mudanças climáticas.
Pé no acelador
Os economistas afirmam que o Brasil precisa acelerar o processo de desenvolvimento de novas tecnologias de baixa emissão de carbono. No entanto, há uma dificuldade. É que os incentivos econômicos para o desenvolvimento dessas tecnologias são baixos, uma vez que o caminho brasileiro de redução de emissões leva, necessariamente, a uma concentração de ações na agropecuária e floresta.
“Os investimentos nessa área não podem se restringir a essa situação, a fim de evitar o risco de que o país fique à margem de um novo movimento de expansão da fronteira tecnológica, liderado pelos investimentos em tecnologia de baixo carbono”, alertam os economistas do BNDES.