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Joel Santos Guimarães
FRONTEIRA SUL
[27/07/2010]
Projeções do mercado exportador mostram que, em menos de dez anos, o Mato
Grosso passará de sétimo a terceiro maior exportador brasileiro. O estado vem diversificando cada vez mais sua pauta de exportações, ao mesmo tempo em que conquista novos mercados, entre eles os países árabes.
No primeiro semestre deste ano, os produtos mato-grossenses foram vendidos para 145 países, gerando uma receita de US$ 4,5 bilhões. No período, as importações do estado somaram US$ 442 milhões e o saldo da balança comercial foi de US$ 4,1 bilhões. Com isso, Mato Grosso foi responsável por 52% do superávit do comércio exterior do país, que nos primeiros seis meses do ano ficou em US$ 7,8 bilhões.
Paulo Henrique Ribeiro Coelho da Cruz, assessor de Comércio Exterior da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), disse à coluna que este ano as exportações do estado devem crescer entre 7 e 9% em relação a 2009. No ano passado, Mato Grosso vendeu para o mundo US$ 8,4 bilhões.
Conquistando mercados
Embora o complexo soja ainda responda por 74% das suas vendas externas, Mato
Grosso vem ampliando e agregando valor à sua pauta de exportação. Um exemplo:
o couro este ano foi o produto que registrou o maior crescimento (81%) nas
exportações do estado.
A maior participação do Mato Grosso no mercado mundial se deve em parte ao fato de que o estado tem ampliado suas vendas para os chamados mercados emergentes. No caso da carne bovina, por exemplo, o Oriente Médio responde por 31% das exportações mato-grossenses do produto.
Mato Grosso e os árabes
No primeiro semestre deste ano, das 109 mil toneladas de carne bovina que Mato
Grosso vendeu para 61 países, quase 34 mil toneladas tiveram como destino
o Oriente Médio. O Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia
Agropecuária (IMEA), Otavio Lemos de Melo Celidonio, chama a atenção para o fato de que naquela região do mundo os países árabes são os maiores importadores da carne do Mato Grosso.
“Este ano, 13 países árabes compraram de Mato Grosso 19,8 toneladas de carne
bovina, o que gerou uma receita de US$ 53 milhões, o que corresponde a 17% do
faturamento das nossas vendas do produto para o mundo nos seis primeiros meses de 2010”, revela o superintendente do IMEA.
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Exportadores de Mato Grosso informam que o crescimento das exportações do
estado para as árabes tem sido maior que a média da expansão de suas vendas
externas para o resto do mundo. O Egito, que é o maior comprador da região, por exemplo, aumentou em 18% suas importações de carne do Mato Grosso. Também no primeiro semestre deste ano o Iraque comprou do estado 617 toneladas de carne, um salto de 288% em relação ao mesmo período do ano passado.
Isso, na opinião de Celidônio, explica a atenção e a prioridade que os exportadores do estado dedicam ao mercado árabe, que além de bons clientes são, ao contrário da União Européia, consumidores fiéis, sem criar barreiras às exportações da carne bovina brasileira.
“Os árabes já são um mercado cativo e preferencial para o nosso comércio exterior. Valorizam o nosso produto e cumprem os contratos que fecham. Além disso, há uma tendência de que importem cada vez mais produtos do complexo carne brasilero”, avalia o superintendente do Imea.
Produção
Estudo do IMEA mostra que Mato Grosso, cujas exportações globais crescem a cada ano, tem condições de continuar expandindo seu comércio exterior sem deixar de atender o mercado interno. De fato, as projeções mostram dos técnicos do instituto mostram que nos próximos 10 anos a produção agrícola mato-grossense vai crescer 60% e a do complexo carne 116%.
“O crescimento da produção agrícola, que em 2020 deverá chegar a 43,3 milhões de toneladas, se dará principalmente pela conversão das áreas degradada em novas áreas de produção”, revela o IMEA. Estudos prévios do instituto indicam que existem cerca de 9 milhões de hectares aptos a essa conversão. Já a expansão da produção pecuária se dará principalmente pela intensificação da bovinocultura de corte.