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Contra a fome

Joel dos Santos Guimarães*

FRONTEIRA SUL

[28/05/2009]

São Paulo - Tendo como companheiro de mesa o presidente da França, Nicolas Sarcozy, e o prêmio Nobel da Paz, Mohammed Yunus, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, fará palestra na abertura da Reunião Semestral do Grupo Piloto sobre Taxação Solidária para Financiar o Desenvolvimento.

O ministro brasileiro falará sobre as medidas efetivas de combate à fome à pobreza no Brasil, como o país tem enfrentado a crise econômica internacional e o cumprimento das metas do milênio. O encontro, que discutirá ainda fundos de financiamento para países em desenvolvimento, começa nesta quinta-feira (28/5), em Paris.

Patrocinado pelo governo francês, o evento reunirá chefes de estado e ministros engajados com o tema, com destaque para Brasil, França, Espanha e Chile – países que lançaram a Ação Internacional contra a Fome e a Pobreza. Já confirmaram participação 40 ministros, representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Banco Mundial, Comissão Européia e entidades ligadas à ONU (Organização das Nações Unidas).

Grupo piloto

Durante a Conferência de Paris, em fevereiro de 2006, foi formado um grupo piloto para discutir financiamentos inovadores para ajudar países em desenvolvimento. Ao ano, US$ 2 bilhões contribuem, por exemplo, com a vacinação de mais de 100 milhões de crianças e tratamento pediátrico para 100 mil pacientes de AIDS.

Os organizadores do encontro avaliam que, em tempos de crise econômica e financeira, financiamentos inovadores são essenciais para formar uma rede de segurança nos países em desenvolvimento.

“A partir de agora, temos a missão coletiva de fazer com que os diferentes mecanismos de financiamentos inovadores disponíveis sejam postos em prática por um número cada vez maior de países”, afirma Bernard Kouchener, ministro para Assuntos Internacionais e Europeus do governo francês, na carta em que convida o ministro brasileiro para o evento.

Meio árabe

O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, que desenhou o projeto de uma biblioteca árabe e sul-americana, a ser construída em Argel, mandou um recado aos ministros da Cultura árabes que estiveram no Rio de Janeiro na semana passada para reunir-se com seus colegas sul-americanos. Segundo o arquiteto José Carlos Sussekind, que apresentou o projeto no encontro de ministros, Niemeyer mandou dizer que se considera "meio árabe". O arquiteto disse que está feliz em voltar a fazer um projeto na Argélia.

Sussekind lembrou que Niemeyer foi acolhido como irmão pelo governo da Argélia - onde ele ficou exilado na época da ditadura brasileira. O arquiteto desenhou vários prédios e participou de vários projetos arquitetônicos na Argélia, entre eles o Centro Cívico de Argel, a Mesquita de Argel, a Universidade de Ciências Tecnológicas, a Universidade de Ciências Humanas, e a Universidade de Constantine. Todos foram feitos entre as décadas 1960 e 1970.

No parlamento

Foram eleitas pela primeira vez quatro mulheres para o Parlamento do Kuwait. O fato é inédito na história dos países do Golfo, que têm perfil mais conservador do que outros países árabes. Desde 2005 as mulheres têm direito de votar e serem votadas, mas nos dois pleitos anteriores, nenhuma conseguiu se eleger. O fato teve ampla cobertura da imprensa árabe.

As novas deputadas são a economista e ativista dos direitos da mulher Rola Dashti, Massouma Al-Mubarak, que foi a primeira mulher ministra do país, a professora de educação Salwa Al-Jassar e a professora de filosofia Aseel Al-Awadhi. Todas têm PHD de universidades norte-americanas.

O resultado mostrou, segundo analistas, o desejo de mudanças do eleitorado. Além da eleição das mulheres, foi ampliada a presença de políticos moderados no Parlamento e houve diminuição do número de cadeiras ocupadas por islamitas, que vivem em rota de choque com o governo local.

Carteira recheada

No primeiro trimestre de 2009, a carteira de crédito total do Banco do Brasil superou os R$ 254 bilhões, com crescimento de 41,3% em 12 meses e 7,3% se comparado ao último trimestre de 2008. Desse montante, R$ 61,1 bilhões correspondem ao crédito para pessoa física.

Degavar, devagarinho

Puxado por investimentos no setor de infraestrutura e pelo reaquecimento do mercado interno, a economia brasileira deverá crescer entre 3% e 4%. A previsão é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho e foi feita durante sua participação na noite de segunda-feira (25) no programa Roda Viva, da TV Cultura. Para esse ano o presidente do BNDES prevê um crescimento de 1%.

Para Coutinho, o mercado interno brasileiro foi preservado da crise. “Houve aumento de salário e da renda previdenciária. As vendas no varejo estão reagindo muito bem, demonstrando grande vigor no mercado interno e que permite a retomada do crescimento de consumo”.

Ativos no exterior

Dados do Banco Central revelam que o estoque de capitais brasileiro no exterior, em 2007, era de US$ 155,2 bilhões, cerca de 12% do PIB do país naquele ano. Os dados são colhidos da Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE). O volume é o que foi declarado por 15.289 pessoas físicas e jurídicas relativo ao ano-base 2007. As pessoas jurídicas responderam por US$ 123,2 bilhões e as pessoas físicas por US$ 32,0 bilhões. O número de países citados como receptores do capital brasileiro na apuração atingiu 123.

Para este ano, o prazo para os brasileiros que tenham capital no exterior é o próximo dia 29. De acordo com o BC, esta será a oitava edição da CBE e se refere à data-base de 31/12/2008.

A CBE permite que o país conheça de forma ampla e detalhada as riquezas que possui no exterior. Dessa forma, contribui para a contabilidade do total de ativos e de passivos externos do Brasil e possibilita a aferição da Posição Internacional de Investimentos – PII, importante fonte de informações para a formulação da política econômica nacional, além de ser relevante elemento de avaliação do risco Brasil.

Estoque

Devem declarar as pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no país (conceito legislação tributária) e detentoras de ativo de qualquer natureza fora do território nacional, em montante igual ou superior a US$100 mil na data-base 31/12/2008

Guia

O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) está lançando o guia “O que você precisa saber sobre transgênicos”. Com dados atualizados e texto didático, a publicação traz informações sobre as principais questões que envolvem a biotecnologia no dia-a-dia da população.

“Há pelo menos 13 anos as plantas transgênicas fazem parte da vida das pessoas no mundo”, diz Alda Lerayer, diretora-executiva do CIB. No Brasil, a soja e o milho geneticamente modificados já são consumidos e, em breve, outros alimentos chegarão às nossas mesas. “O guia é resultado da nossa preocupação em deixar o consumidor informado sobre os avanços da biotecnologia”, complementa.

Biofortificados

De acordo com Neuza Brunoro, pesquisadora do Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, a ciência vem desenvolvendo plantas que podem contribuir para a redução de deficiências nutricionais, inclusive por meio da biotecnologia. A anemia e outros problemas relacionados à carência de micronutrientes, por exemplo, atingem cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo. “No futuro, chegarão ao mercado os alimentos biofortificados, geneticamente modificados para serem mais nutritivos ou funcionais”.

*Com Isaura Daniel e Alexandre Rocha


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