Cafezinho bom
Joel dos Santos Guimarães
FRONTEIRA SUL
[28/04/2009]
As exportações brasileiras de café para o mercado árabe têm crescido nos últimos dois anos, na medida em que a qualidade do produto brasileiro, a exemplo do que acontece no mundo, é reconhecida pelos consumidores daquela região.
Um bom exemplo de que os árabes estão consumindo cada vez mais o produto brasileiro é o Egito que, além de comprar mais, vem, cada vez mais, agregando valor às suas importações do café brasileiro.
Até orgânico
Ainda que em volumes pequenos, os egípcios já compram do Brasil café torrado e moído, cafés especiais (tipo gourmet) e até café orgânico. No entender de exportadores ouvidos pela coluna Fronteira Sul, o Brasil tem condições de ampliar substancialmente a sua participação no mercado cafeeiro do Egito, principalmente de café com valor agregado.
Para isso, é preciso que governo e iniciativa privada intensifiquem as ações de prospecção naquele mercado, que tem crescido em função do aumento do consumo do café entre a juventude do país.
Mercado interno
Segundo o departamento de Desenvolvimento de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, no Egito, as vendas de café no mercado varejista representam algo em torno de US$ 419 milhões anuais.
E são justamente os jovens os principais responsáveis pelo crescimento de 9% do consumo do café no país. Crescimento este superior ao consumo mundial que, no passado, foi de quase 3%.
Valor agregado
E esse salto acontece em função da procura cada vez maior pelo consumidor egípcio de café com valor agregado. Nos últimos anos, por exemplo, houve uma expansão bastante significativa no consumo de café solúvel na classe média e crescimento significativo do consumo de cafés especiais pelos setores de maior poder aquisitivo da sociedade.
Consumidor exigente
Ou seja, os egípcios estão exigentes, querem mais qualidade nos produtos que consomem. Um exemplo disso é o aumento no número de cafeterias ou lojas especializadas em café no país, como americana Starbucks e a rede nacional Fawzy El Banan, que detem 14% desse mercado, justamente pela qualidade de seus produtos e por uma forte rede de distribuição.
Nicho
E é neste nicho promissor que o Brasil tem condições de ampliar sua participação no mercado cafeeiro do Egito. Para isso basta convencer os consumidores do país árabe que os chamados cafés especias produzidos pelo Brasil estão entre os melhores do mundo. Com isso, teremos condições de aumentar substancialmente as exportações de café para o Egito.
No ano passado, as vendas externas do produto brasileiro para o Egito somaram US$ 5,5 milhões, o que representou um crescimento de 38% em relação a 2007. Vale lembrar que, no ano passado, as exportações brasileiras de café para os países árabes somaram US$ 147 milhões, o que representou um crescimento de 16% em relação a 2007
Otimismo
Exportadores brasileiros que atuam no mercado árabe apostam que, este ano, mesmo com a crise, as vendas de café do Brasil para o mundo árabe deverão registrar um crescimento entre 8% e 10%. As projeções dos exportadores tem como base o fato de que as vendas externas de café para o Egito, Argélia, Tunísia e Líbia vem registrando um desempenho substancialmente superior a média do crescimento das exportações brasileiras de café para o mundo.
Concentração
No ano passado, as vendas internacionais de café do Brasil crescerem 22,42%. No mesmo ano, as vendas para a Argélia, Líbia, Tunísia, Egito e Jordânia aumentaram 182%, 143%, 78,7%, 38,5% e 36,9% respectivamente.
Mesmo assim, as exportações brasileiras de café continuam concentradas na Síria e no Líbano, que juntos respondem por 87% de todo o café que o Brasil vende para o mundo árabe. Para os exportadores, a lição de casa a ser feita é manter a participação brasileira no mercado sírio-libanês e aumentar a presença do produto brasileiros nas demais nações árabes.
Comemorando
Ontem (14) foi o dia internacional do café, uma das bebidas mais consumidas no mundo. São 128 milhões de sacas anuais. Cerca de seis milhões de xícaras de café são consumidas todos os dias em 50 mil luxuosos restaurantes, bares e cafés em 140 países. No Brasil, o café é consumido por nove entre dez brasileiros acima de 15 anos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Aqui, o café é produzido em 300 mil propriedades rurais distribuídos em 1.950 municípios.
De acordo com a Organização Internacional do Café (OIC), o café é cultivado em 60 países. O Brasil é o maior produtor e exportador de café, seguido do Vietnã e da Colômbia. A produção brasileira foi de 48 milhões de sacas de 60 quilos, em 2008. O principal estado produtor do café arábica é Minas Gerais, com 24 milhões de sacas/ano. O Espírito Santo se destaca com a produção de 7,3 milhões de sacas de café conilon.
As exportações brasileiras no ano passado totalizaram 30 milhões de sacas, com embarques para Alemanha, Estados Unidos, Itália, Bélgica e Japão, gerando uma receita de US$ 4,7 bilhões. O país responde por quase 30% das exportações mundiais de café.