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João Cândido, o marinheiro da Revolta da Chibata

O mestre-salas do mares

Cláudia M. Abreu

MEIOS

[11/12/2008]

São Paulo – A história do marinheiro João Cândido Felisberto, o imortal almirante negro, virou site. O texto foi desenvolvido pela equipe da Agência Meios para o site www.projetomemoria.art.br, da Fundação Banco do Brasil, no ar deste o início desta semana.

Idealizado pela Fundação Banco do Brasil em 1997, o Projeto Memória tem como parceira, desde 2004, a Petrobras, contando, nesta edição, com a Associação Cultural do Arquivo Nacional (ACAN). Os homenageados das outras edições foram: Castro Alves, Monteiro Lobato, Rui Barbosa, Juscelino Kubitschek, Oswaldo Cruz, Josué de Castro, Paulo Freire e Nísia Floresta.

O marinheiro João Cândido Felisberto é o homenageado desta edição do Projeto. Ele foi um dos líderes da Revolta da Chibata. Filho de ex-escravos, João Cândido entrou para a Marinha aos 15 anos. Em 1910, junto com seus companheiros se rebelou contra as injustiças na Marinha. Os marinheiros exigiam melhoria no soldo, alimentação digna e o fim da prática da chibata nos navios brasileiros.

O levante parou o Rio de Janeiro e a cidade ficou sob a mira dos canhões dos mais modernos navios de guerra do mundo. O governo cedeu aos rebeldes e anistiou-os. Foi o fim da chibata na Marinha brasileira. No entanto, as autoridades mudaram de idéia e a anistia foi invalidada dias depois de concedida. João Cândido e seus companheiros foram perseguidos, presos e expulsos da corporação. Alguns líderes foram mortos. João Cândido morreu em 6 de dezembro de 1969 e deixou ao país um legado de luta pelos direitos humanos.

João Cândido também virou música com letra de João Bosco e Aldir Blanc e a voz de Elis Regina. A canção 'Mestre-Sala dos Mares' foi uma grande homenagem ao marinheiro. Escolas de samba também cantaram os feitos do marujo, mas só este ano é que o governo brasileiro reconheceu João Cândido como herói nacional e concedeu-lhe anistia póstuma. No dia 23 de julho de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com veto ao pagamento de indenizações aos descendentes dos marinheiros, a Lei nº 11.756, que reconhece e restaura os direitos de anistia concedidos ao marinheiro e aos seus companheiros em 1910. O projeto era da senadora Marina Silva.

O site integra um conjunto de peças que é distribuído para 18 mil escolas e 5 mil bibliotecas públicas de todo o país. O material pedagógico é composto por três almanaques históricos, três guias de orientação ao professor, um cartaz e um DVD-rom com todas as peças que compõem o Projeto: um livro fotobiográfico e um vídeo documentário (esses especificamente para as bibliotecas); uma exposição itinerante, que percorre cerca de 800 municípios de norte a sul do Brasil, alem, claro do site, que também tem os arquivos das peças, para serem consultados ou baixados.


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