busca

ok

Sérgio Tomizaki
Imgnot_7693930_4_norm
O time de futebol Twister, formado por palestinos e brasileiros

ANBA, ano cinco

Cláudia M. Abreu

ANBA

[22/09/2008]

São Paulo – Uma oportunidade, uma idéia inovadora, profissionais competentes e o compromisso com o jornalismo de qualidade. Ingredientes para o sucesso da Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA), que comemorou seu quinto aniversário na quarta-feira (17). Comemoração em grande estilo com um número recorde de acessos em agosto, 293.959, e setembro, quando as visitas ao site somaram 270.046, considerando os números até o dia (16). “É o reconhecimento do público ao trabalho sério da agência”, afirma Antonio Sarkis Jr, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Esta reportagem especial festeja os bons resultados da ANBA compartilhando com o leitor algumas histórias curiosas dos nossos primeiros cinco anos de vida.

A ANBA nasceu em 2003, ano do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O país vivia um momento de expectativa quanto à gestão do governo Lula. O presidente havia traçado uma política externa diferenciada e colocado os países árabes na sua agenda. A estratégia era aumentar a cooperação do Brasil com as nações daquela região do mundo, tanto no campo comercial quanto no cultural. As informações, no entanto, eram escassas ou estavam dispersas. Um relatório detalhado sobre os países árabes foi encomendado pela Câmara Árabe à Meios Agência de Comunicação, de São Paulo. Estava selada a parceria, de um lado a Câmara, com o seu importante trabalho comercial e de outro a equipe da Meios, com sua habilidade para informar.

Durante o trabalho de pesquisa, a idéia de uma agência de notícias que promovesse, de fato, a comunicação entre o Brasil e os países árabes foi tomando forma à medida que se identificava essa carência entre as duas regiões, “mesmo o país tendo um grande número de imigrantes de origem árabe”, lembra Joel dos Santos Guimarães, diretor da Meios e editor-chefe da ANBA. Encontros e mais encontros entre a diretoria da Câmara Árabe e da Meios, que na época contava também com a jornalista Paula Quental. Reuniões e mais reuniões com o então presidente da entidade, Paulo Atallah, o vice-presidente de Marketing, Rubens Hannun, o secretário-geral da Câmara, Michel Alaby e Walter Nori, que também faz parte da diretoria. O veredicto, enfim, foi dado: a agência seria criada. A oportunidade estava validada.

Era preciso encontrar um nome para a agência, sabia-se que teria de ter árabe, Brasil e notícias, mas a ordem disso tudo numa única frase ainda era um desafio. Em mais uma conversa, numa mesa redonda fervilhando de idéias, uma lembrança do assessor especial da presidência da Câmara Árabe, Ely Dawly: notícia em árabe é anba (que se pronuncia anbá). O nome agora estava definido, nascia uma agência de notícias inédita, a ANBA, Agência de Notícias Brasil-Árabe, um case de sucesso que seria apresentado como modelo inovador de comunicação a entidades semelhantes à Câmara, como aconteceu no evento de empreendedores América Latina e Mundo Árabe – rumo a uma nova relação, no Chile, em 2007.

Atrás da notícia

Nome na internet, hora do jornalismo pé na estrada, da mão e orelha grudada no telefone e de usar toda a expertise dos profissionais da ANBA para conseguir boas reportagens, úteis para o público nascente da agência. Determinação, sensibilidade, empenho, ousadia e, claro, muito talento entraram em campo - e bateram um bolão.

Determinação presente em todo o trabalho da jornalista Geovana Pagel, a primeira repórter da ANBA. Geovana conta que, no início, era preciso gastar muita saliva explicando o que era a agência aos entrevistados, que respondiam às ligações com certa desconfiança, curiosidade e até espanto. Logo na primeira matéria que fez para a ANBA, sobre as exportações da Sadia para os árabes, Geovana descobriu que a palavra "sádia" (assim mesmo, como se tivesse acento) tinha virado sinônimo de frango na Arábia Saudita. “Foi nessa primeira matéria que aprendi o que era o abate halal e porque ele tem tanta importância para os muçulmanos”, diz.

A jornalista também foi determinada para um encontro – não-agendado – com o então Ministro da Cultura, Gilberto Gil. A entrevista seria para a segunda edição da ANBA. “Ficamos sabendo que o Gil estaria em São Paulo para um evento, era a nossa chance de entrevistá-lo”, conta. Gravador em punho, bloco e caneta na mão lá foi Geovana. “Após esperar mais de duas horas a entrevista incerta, o assessor então me chamou numa salinha reservada e pude entrevistar o ministro. Não foram mais que 15 minutos, mas o suficiente para garantir uma boa manchete”, lembra.

Sensibilidade que pode ser vista na série de Isaura Daniel, “O alimento que brota na seca”, vencedora do prêmio Embrapa de Jornalismo, em 2007. Editora-sênior da ANBA, Isaura foi a estados do Nordeste do país para mostrar como a região consegue produzir apesar da terra seca. “A idéia foi mostrar aos árabes, que também têm semi-árido, as tecnologias que usamos por aqui, principalmente nas zonas mais castigadas como o sertão de Pernambuco e do Piauí”, conta. Isaura passou cinco dias viajando na zona rural, em um carro alugado, procurando casas de agricultores que produziam. Encontrou histórias de vida surpreendentes.

“Uma das casas que visitei foi a da Luzinéia e do Batista, um casal jovem, com dois filhos, que vive numa das cidades mais pobres do Brasil, Acauã, no Piauí, e dali consegue produzir uma infinidade de alimentos. A caçula da casa, Beatriz, de sete anos, sabia quase tudo sobre o funcionamento das tecnologias que eles usavam para produzir com pouca chuva. Orgulhosa, mostrou a mim e ao técnico da Embrapa que me acompanhava toda a propriedade. Foi muito bom poder contar aos árabes um pouco sobre esse Brasil de Beatrizes, que andam para a frente apesar das adversidades”, conta Isaura.

Débora Rubin, repórter-especial da ANBA por dois anos, também emocionou com a série de reportagens “A Palestina brasileira”, publicada em 2007, que contou aos leitores as histórias do grupo de refugiados palestinos acolhido pelo governo brasileiro. Depois de muitas ligações e tentativas de falar com os refugiados, muito protegidos por organismos internacionais, Débora foi até a cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo, conhecer as caras e corações de parte dos refugiados.

“As histórias sofridas de cada família, a dificuldade de aprender português, a curiosidade sobre os nossos hábitos, o dinheiro curto e a comida um tanto estranha para o gosto deles me chamaram a atenção. Além, claro, do time de futebol do Alexandre, que mesmo sem falar uma palavra em árabe, conseguiu formar um time de brasileiros e palestinos, o Twister”, conta Débora. E entre os boleiros, Débora encontrou o sorridente Ali, um dos jogadores, que foi jogar em Brasília depois de um tempo. “Mesmo após viver quatro anos num campo de refugiados na Jordânia (isso sem contar a saída às pressas do Iraque, onde ele nasceu, quando os EUA atacaram o país), Ali está sempre sorrindo e tem uma energia enorme para recomeçar a vida em um novo e estranho país”, diz Débora.

Teste de fogo

Em 2005, o Brasil sediou a Cúpula América do Sul-Países Árabes. Um desafio para a equipe da ANBA. O grupo mostrou empenho cobrindo os eventos de Brasília. Alexandre Rocha, editor-executivo, acabava de chegar de uma viagem ao Egito e trouxe na bagagem uma cópia da minuta da Declaração de Brasília, que seria aprovada no final do encontro e tinha sido debatida pelos chanceleres árabes e brasileiros. “Consegui uma cópia do texto, que havia sido discutido até aquele momento, com uma fonte da Liga Árabe e que, em boa parte, foi aprovado. Nós demos essas informações antes mesmo do início da cúpula”, diz Rocha.

Durante o evento, Rocha acompanhou a assinatura do acordo-quadro entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), que marcou o início das negociações entre os dois blocos sobre um acordo de livre comércio, e realizou várias entrevistas importantes, entre elas com o então ministro da Educação, Tarso Genro, hoje na pasta da Justiça. “Foi na abertura da Cúpula e, pela primeira vez, Genro falou da intenção do governo brasileiro em intensificar a cooperação com os árabes na área da educação, o que foi levado a cabo por seu sucessor, Fernando Haddad. Em 2006, Haddad esteve na Síria e no Líbano”, diz. De lá para cá algumas iniciativas ocorreram, como a criação de um curso de português na Universidade de Damasco, na Síria.

Bilhete para Slim

Ousadia faz parte do bom jornalismo e Débora Rubin não é de poupar esforços e vale até bilhetinho para o homem mais rico do mundo para conseguir uma entrevista exclusiva. Débora estava cobrindo um encontro de jovens empreendedores e executivos árabes e chilenos, do qual Paulo Atalah participaria discursando sobre a atuação da Câmara Árabe. No evento, estavam a presidente chilena Michele Bachelet e o homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim. “Tendo o Slim origem libanesa, queria de qualquer maneira entrevistá-lo, apesar de saber que isso era quase impossível (ele não dá entrevistas). Mandei um bilhetinho para ele, gastando o meu melhor espanhol para explicar o quão importante seria tê-lo em uma matéria da ANBA. Ele sorriu ao pegar o bilhete, mas fechou a cara depois de ler”, lembra Débora. Valeu a tentativa.

Nos países árabes, Isaura Daniel também mostrou que tem jogo de cintura. Em 2004, Isaura visitou o Catar a convite do governo do país para cobrir uma cúpula de países em desenvolvimento. Fez reportagens diárias sobre o evento, mas deu várias escapadas por Doha, capital, para fazer outras matérias para a ANBA. Interessada em contar um pouco sobre a rua que vendia jóias em ouro, Isaura andou de loja em loja de bloquinho na mão. “Percebi que esse não era o tipo de jornalismo mais usual por ali. Os donos das lojas primeiro achavam que eu ia comprar, depois que percebiam que eu era jornalista - brasileira - e ficavam meio desconfiados. Fotos das mulheres árabes olhando as jóias não foi possível. Me virei mesmo com as turistas estrangeiras que andavam pela rua. Mas consegui fazer minha matéria, arrancando monossílabos deles, e encontrei até uma joalheria que vendia peças brasileiras”, conta.

Difícil, segundo Isaura, foi voltar para hotel. “Naquela tarde descobri que no Catar não se toma táxi na rua, apontando o dedo para o carro. Mas depois de quase uma hora perambulando, consegui, afinal, um comerciante generoso que fez uma ligação e chamou um carro para mim”, lembra e completa: “Obrigado, comerciante!”.

Com ascendência árabe, Marina Sarruf, repórter da ANBA, também viveu uma situação que exigiu boa dose de ousadia e persistência. Em 2005, ela foi acompanhar um grupo de 18 universitários sauditas que vieram ao Brasil para um intercâmbio organizado e apoiado pela Câmara Árabe. Eles visitaram indústrias de São Paulo, universidades, construções, como o complexo hidrelétrico Itaipu, e foram até Brasília. Marina, única mulher no grupo, percebeu as diferenças culturais. “No início, eles não queriam me dar entrevista. Os que conversavam não ousavam olhar para mim”, diz. No final do dia, no entanto, Marina venceu. “Os estudantes vinham me procurar para dar um depoimento, tirar dúvidas”, lembra.

Com esse espírito desbravador e o compromisso com os internautas que acessam diariamente o site, a ANBA demarcou seu espaço no mercado. Em cinco anos, conquistou oito prêmios de jornalismo. Está se tornando, cada vez mais, um veículo de comunicação influente e prestigiado tanto no meio empresarial como no governamental. “A agência virou referência no meio diplomático aqui no Brasil e está iniciando esse trabalho também nos países árabes”, conta Michel Alaby, uma espécie de repórter-especial da ANBA, apelidado de "mister comércio" pela equipe. É a Alaby que os jornalistas recorrem quando precisam de dados econômicos, comerciais das nações árabes e, claro, boas histórias.

Em tempo

Na noite de segunda-feira (15), enquanto esboçava essa matéria, uma pessoinha, que está prestes a fazer cinco anos, minha filha Sofia, estava lá, ao meu lado, curiosa, questionando tudo, organizando suas idéias, atenta a todos os movimentos – os meus, da casa, do gato, da TV, dos brinquedos – e crescendo, crescendo. Pensei que realmente existem muitos pontos comuns entre a ANBA e uma criança de cinco anos, a curiosidade nata e atenção ao que acontece no mundo estão entre eles. E vamos aos próximos cinco!! Aos 50, como diz o presidente da Câmara Antonio Sarkis Jr, acompanhando o Brasil e os países árabes nessa empreitada de crescimento econômico, desenvolvimento social e cultural e responsabilidade ambiental.


Rua Heitor Penteado, 1900 - sala 32A - 3º andar

São Paulo – SP - Cep: 05438-300

Tel. (11) 3151 3416 e 3258 2174