Os cinco mais
Joel dos Santos Guimarães*
FRONTEIRA SUL
[03/09/2008]
No ano passado, cinco países árabes fizeram parte dos trinta principais destinos das exportações da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro. Foram eles: Árabia Saudita, Argélia, Egito, Emirados Árabes Unidos e Marrocos. É o que mostra o estudo "Intercâmbio Comercial do Agronegócio - Principais Mercados de Destino", da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
De acordo com o documento, juntos, em 2007, esses países árabes compraram do Brasil US$ 4,2 bilhões, o que corresponde a 7,2% do total exportado pelo agronegócio brasileiro naquele período.
Essa região do mundo é apenas um dos exemplos de que os países em desenvolvimento deverão superar, já nos próximos anos, os mercados desenvolvidos nas exportações do agronegócio brasileiro.
De acordo com o MAPA, de 2001 a 2007, as exportações brasileiras do setor saltaram de US$ 23,9 para US$ 58,4 bilhões. Os países em desenvolvimento foram responsáveis por 54,5% desse crescimento.
Nesse período, os países desenvolvidos viram sua participação cair de 60,4% para 51,8%. E, entre os países em desenvolvimento, os árabes estão entre os que mais têm aumentado, a cada ano suas compras de produtos agropecuários brasileiros. No ano passado, por exemplo, de acordo com o estudo, a Argélia foi o 17º mercado no ranking dos destinos das exportações do agronegócio brasileiro, participando com 0,73% do total exportado pelo setor no ano.
Em 2007, as vendas do agronegócio brasileiro para este país somaram US$ 428 milhões, apresentando um crescimento de 11,6% em relação a 2006.
Sauditas
Ao avaliar a corrente comercial entre o Brasil e a Árabia Saudita, o estudo do Ministério da Agricultura mostra que, apesar das reduções em volume de importações de óleo de petróleo em bruto por parte do Brasil, houve um significativo aumento do intercâmbio comercial entre os dois países ao longo dos últimos dez anos. Entre 1997 e 2007, o fluxo comercial entre Brasil e Arábia Saudita cresceu de US$ 1,5 bilhão para US$ 3,2 bilhões.
O estudo informa também que, ao contrário das exportações totais, o agronegócio expandiu as exportações para a Arábia Saudita em 2007. O valor exportado ficou em US$ 985,3 milhões, um aumento de 17,8% em relação ao ano anterior.
E a caravana segue
Na próxima quarta-feira (3), Fronteira Sul irá mostrar a importância do Marrocos, Egito e Emirados Árabes Unidos para a balança comercial do agronegócio brasileiro. No ano passado, os três países compraram do Brasil US$ 1,8 bilhão.
Vale para potássio e fosfato
O mundo precisa aumentar a produção de alimentos. E para isso precisa de mais fertilizantes. Uma das grandes companhias mundiais – e brasileira – que está de olhos bem abertos para essa demanda é a mineradora Vale do Rio Doce. Os executivos da empresa deixaram o fato claríssimo em algumas das suas últimas rodas de imprensa. Em 2010 a empresa pretende produzir fosfato no Peru, onde adquiriu uma usina em 2007.
A companhia também tem projetos em pesquisa com potássio para Argentina e Angola. Parece que a Vale está se preparando para ser grande também nessa área. Será que as pernas da Vale chegam também ao mundo árabe, onde há – no Marrocos e na Tunísia, por exemplo, - grandes reservas de matérias-primas para fertilizantes?
Repensar o sistema
É preciso repensar o sistema financeiro internacional. A afirmação é do economista Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, instituição especializada na concessão de microcrédito, em Bangladesh, e que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 2006. Segundo ele, o mundo está nervoso por causa das crises de hipoteca e moradia dos Estados Unidos.
"Os bancos convencionais deram trilhões de dólares em empréstimos de moradias e agora vão ter que excluir esse dinheiro. Talvez seja o momento de redesenhar o setor bancário porque não se pode jogar US$ 1 trilhão fora", disse Yunus durante a cerimônia de comemoração de dez anos do Banco do Povo, criado pelo governo de São Paulo na capital paulista.
Hipotecas em alta
Enquanto o mercado de hipotecas nos Estados Unidos está em crise - e afeta a economia mundial -, o mesmo setor nos Emirados Árabes tem perspectiva de forte crescimento. De acordo com matéria da agência Zawya Dow Jones, que cita como fonte o Bonyan International Investment Group, o valor do mercado de hipotecas no país árabe deverá passar de 20 bilhões de dirhans (US$ 5,4 bilhões) em 2008 para 64 bilhões de dirhans (US$ 17,4 bilhões) nos próximos três anos.
Vale ressaltar que, segundo o Bonyan Group, os empréstimos feitos por meio do sistema financeiro islâmico, que segue regras religiosas, deverão responder por mais de 60% do total.
São Paulo gira...
A Mercedes-Benz do Brasil alcançou o marco histórico de 2.200.000 quilômetros rodados de testes operacionais em ônibus abastecidos com biodiesel. São 1.800.000 quilômetros com a mistura B20 e 400.000 com B5. Esta alta quilometragem foi obtida em dois anos de testes sob condições severas com 23 ônibus da Viação Cidade Dutra, que atua no transporte coletivo urbano da cidade de São Paulo.
“Esta é a maior quilometragem de testes operacionais com biodiesel entre os fabricantes de veículos comerciais da América do Sul”, afirma Gilberto Leal, gerente de Desenvolvimento de Motores. A capacidade tecnológica e a experiência mundial da Daimler AG são fundamentais para os avanços com biodiesel no País.
... e a Mercedes testa
Com o alcance de 1.800.000 quilômetros rodados na cidade de São Paulo, a empresa finalizou os testes operacionais com o biodiesel B20. Agora, os motores serão desmontados no Centro Tecnológico da Mercedes-Benz do Brasil, na fábrica de São Bernardo do Campo, para avaliação de peças e componentes.
*Colaboraram Alexandre Rocha, Geovana Pagel e Isaura Daniel