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Mais do que fazenda

Joel dos Santos Guimarães*

FRONTEIRA SUL

[14/08/2008]

O Brasil deve focar ainda mais nas suas exportações. Há espaço para isso. Segundo Celso Grisi, diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA), o país tem uma indústria plurissetorial, o que é excelente. "Mas ainda somos um país baseado em commodities. Toda vez que eu penso em commodities, eu penso no valor que a gente deixa de agregar se exportássemos o produto final".

E completa: "somos o maior produtor e exportador de laranja. Mas ninguém conhece uma marca de suco de laranja brasileira lá fora. O mesmo acontece com o café, com o açúcar. E qual é problema de se ter uma economia baseada em commodities? Quando os preços sobem, nós ganhamos, mas, se eles caem, nós perdemos muito. É ótimo ser o Brasil fazenda. Mas podemos e devemos ser muito mais que isso".

Seguro e volátil

Para o economista Julio Almeida, no que diz respeito aos investimentos estrangeiros, "estamos muito bem. Como nunca estivemos antes". Em 2007, o volume de investimento direto foi de US$ 33,7 bilhões, um recorde. E em 2008, não deve ser diferente. Antes de 2007, esse valor não chegava a US$ 25 bilhões. "Esse é o tipo de cenário que só muda se voltarmos aos cenários de recessão, com inflação alta e crescimentos pífios. Mas não é o que se vê. Ao que tudo indica, o PIB cresce neste ano em torno de 5%, mantendo a mesma média do ano passado. Se voltarmos aos patamares de crescimento entre 2% e 3%, aí o investimento direto pode cair", diz.

Quanto às saídas de dinheiro da bolsa (R$ 7,4 bilhões em junho), Almeida afirma: "esse é capital volátil por natureza e é sempre difícil de prever. De qualquer forma, com o amadurecimento da Bovespa e do mercado acionário brasileiro como um todo, a tendência será atrair mais investimentos no longo prazo".

Minas à moda chinesa

Apesar dos juros altos, da elevada carga tributária e do câmbio depreciado, a economia mineira cresce em escala chinesa. Um levantamento da Federação das Industrias de Minas Gerais (Fiemg) revela que por 11 trimestres consecutivos a indústria mineira cresce a um ritmo médio de 9,2%. A Fiemg calcula que o faturamento da indústria mineira deverá fechar o ano com alta de 15% sobre o ano passado.

Em relação ao acumulado dos seis primeiros meses de 2007, o faturamento do primeiro semestre de 2008 foi 19,81% maior. É o maior resultado para o primeiro semestre da história da indústria mineira desde o Plano Real, em 1994.

O desempenho do parque produtivo estadual no primeiro semestre do ano superou a média nacional em todos os quesitos. No faturamento, a indústria de Minas foi 2,4% maior. Na mesma base de comparação, o nível de emprego evoluiu 10,7% em Minas, contra 5,9% no país. Já a massa salarial no estado apresentou alta de 7,44% em Minas, contra avanço de 5,6% da média nacional.

Pelo avesso

O aquecimento global deverá provocar uma mudança significativa no mapa da agricultura brasileira, gerando a redução de áreas produtoras e prejuízos econômicos de cerca de R$ 7,4 bilhões em 2020 e de R$ 14 bilhões em 2070. É o que revela o estudo 'Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira', que avalia o impacto do aumento da temperatura sobre a agricultura em 2020, 2050 e 2070.

A pesquisa avaliou as seguintes culturas: algodão, arroz, feijão, café, cana-de-açúcar, girassol, mandioca, milho e soja. Foi coordenada por Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade de Campinas (Unicamp), e Eduardo Delgado Assad, da Embrapa Informática Agropecuária. Contou ainda com a colaboração de 19 pesquisadores e com o apoio da Embaixada do Reino Unido.

O trabalho foi feito com base na tecnologia de zoneamento de riscos climáticos, uma política pública que orienta toda a estrutura de crédito agrícola do Brasil, uma vez que informa qual o nível de risco de mais de 5 mil municípios brasileiros para as culturas mais comuns do país.

Os árabes e o IDE

Relatório da Comissão Econômica e Social para Ásia Ocidental (Escwa) sobre a globalização e a integração regional nos países árabes revela que, em 2006, o investimento direto estrangeiro naquela região do mundo atingiu um recorde de US$ 62 bilhões, o equivalente a mais de R$ 100 bilhões. O número representa um crescimento de 36% em relação ao ano anterior. O relatório revela ainda que em 2006 a participação dos países árabes chegou a 4% no comércio e a 4,8% no turismo internacionais.

Crédito rural

Os recursos aplicados com o crédito rural da safra 2007/2008 superaram os R$ 58 bilhões programados pelo governo brasileiro para a agricultura empresarial. Os contratos chegaram a R$ 65 bilhões, 12,2% a mais do que o previsto. O cenário do agronegócio brasileiro e mundial motivou os agentes financeiros a ofertarem mais crédito e os produtores a buscarem mais financiamentos.

*Colaboraram Cláudia M. Abreu e Débora Rubin


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