O que é que a Síria tem?
Joel dos Santos Guimarães*
ANBA
[04/08/2008]
ão Paulo - A modernização e a abertura da economia da Síria representam uma boa oportunidade de negócios para os investidores e empresários brasileiros. Com um PIB de US$ 41,1 bilhões e um mercado de 20 milhões de pessoas, o país árabe tem potencial para importação de bens de capital e parcerias na indústria, infra-estrutura e turismo, entre outros, como revela Rodrigo Solano, gerente de Desenvolvimento de Mercados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Um dos mercados que o Brasil, em função da qualidade de seus produtos reconhecida internacionalmente, pode ampliar a sua participação é o de bens de capital. Como exemplo, Solano citou o fato de que na edição 2007 da Feira de Damasco, o segundo produto mais procurado no estande brasileiro foram máquinas e equipamentos. Os primeiros foram os alimentos.
E foi no ano passado que as importações de maquinários brasileiros na pauta das importações sírias somaram US$ 8,5 milhões, o que representou um crescimento de 136% em relação ao ano anterior.
Considerando que a Síria importa anualmente em máquinas e equipamentos US$ 1,36 bilhão, o Brasil, tem condições de aumentar substancialmente a sua participação no mercado de bens de capitais do país árabe. Hoje, os grandes fornecedores à Síria são China, Coréia, Alemanha e Itália.
Perfil sírio
A Câmara Árabe produziu recentemente um estudo que traça o perfil econômico do país árabe. "O documento tem por finalidade despertar o interesse dos agentes econômicos brasileiros sobre as potencialidades do mercado sírio, tanto com relação ao comércio exterior quanto nas oportunidades de investimentos para os empresários brasileiros na cadeia produtiva da economia síria", explica Solano.
O estudo revela, por exemplo, que com a reforma que está ocorrendo no setor bancário/financeiro, a Síria proporciona oportunidades reais para agentes estrangeiros, principalmente para o segmento de softwares, consultoria e oferta de diferentes produtos do setor financeiro, em um país com pouca oferta e diversificação de produtos bancários.
O céu é o limite
Em 2007, as importações da Síria somaram US$ 10,78 bilhões e, este ano, segundo estimativas da Economist Intelligence Unit, deverão chegar a US$ 12,3 bilhões. O documento produzido pela Câmara Árabe chama a atenção para as possibilidades dos produtos brasileiros no mercado da Síria:
“São poucos os produtos que o Brasil consolidou no mercado sírio até o final de 2007, tendo em vista o potencial que o mercado oferece. Atualmente, açúcar e café verde são os dois produtos brasileiros de maior participação na pauta das importações sírias.”
No ano passado, o Brasil exportou para a Síria US$ 196 milhões. Em 2008, apenas no primeiro semestre, os embarques para o país árabe somaram US$ 112 milhões, o que representa um crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado.
O leitor da coluna encontra a íntegra do estudo sobre a economia da Síria e suas oportunidades de negócios na seção Informes de Mercados (Análise e Panoramas) do site da Câmara Árabe (www.ccab.org.br).
A vez dos emergentes
As exportações de bens dos países em desenvolvimento cresceram 15,2% no ano passado, acima da média mundial, que foi de 14,4%. Na seara dos serviços, o aumento global das vendas externas foi de 18,1%, com os emergentes crescendo na mesma toada. Os dados constam do Manual de Estatísticas da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), divulgado no dia 29 de julho.
A organização ressalta, porém, que os números mostram uma tendência de longo prazo de concentração das exportações das nações em desenvolvimento em poucos itens. “Enquanto os países em desenvolvimento exportaram muitos produtos e serviços, uma parte crescente do valor dessas vendas veio de um número limitado de produtos”, diz nota da Unctad, que há muito tempo recomenda a diversificação econômica como forma de tornar os países mais pobres menos vulneráveis a turbulências no cenário internacional.
Apesar dos avanços dos emergentes, a Unctad informa que os países ricos continuam a dominar a economia mundial, concentrando 71% do Produto Interno Bruto (PIB) global, ao mesmo tempo em que têm apenas 15% da população mundial. Na mesma linha, a entidade mostra que em 2007 essas nações foram responsáveis por 58,6% das exportações de bens e por 71,9% das de serviços.
Oriente Médio voa mais
O Conselho Internacional de Aeroportos (ACI, na sigla em inglês) divulgou ontem seu relatório consolidado sobre o movimento de passageiros em 2007. O documento mostra que o Oriente Médio foi a região que mais avançou nesse quesito, com 11,3% de aumento, seguido da África com 11,2% e Ásia-Pacífico (9,1%).
Segundo a organização, cerca de 4,8 bilhões de passageiros embarcaram e desembarcaram nos aeroportos ao redor do mundo, um crescimento de 6,8% em comparação com 2006. O relatório inclui dados de 1,2 mil aeroportos.
Crescimento menor
A diretora-geral do ACI, Angela Gittens, diz, no entanto, que os números relativos aos cinco primeiros meses de 2008 mostram uma redução no ritmo de ampliação do tráfego aéreo, com um aumento de 3% no transporte de pessoas e cargas em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre os fatores causadores dessa desaceleração ela aponta a diminuição do crescimento de economias importantes, o alto preço dos combustíveis e as dificuldades financeiras enfrentadas por diversas companhias aéreas. No longo prazo, porém, a executiva estima um crescimento médio anual de 4% no tráfego nos próximos 20 anos.
Na área de cargas, foram transportadas no ano passado 88,5 milhões de toneladas por via aérea, um aumento de 3,2%. Houve redução do ritmo de crescimento em relação a 2006. De acordo com o ACI, isso ocorreu provavelmente por causa dos custos dos combustíveis, o que levou os usuários a buscar outras formas de transporte.
Fiel da balança
Com um saldo na corrente comercial estimado entre US$ 53 bilhões a US$ 55 bilhões em 2008, o agronegócio brasileiro irá garantir, pelo segundo ano consecutivo, o superávit da balança comercial do país, que deverá encerrar o ano com um saldo entre US$ 22 e US$ 25 bilhões, uma queda de quase 40% em comparação ao superávit registrado no ano passado, de cerca de US$ 40 bilhões.
E, de acordo com os exportadores, a queda do superávit brasileiro só não é maior justamente em razão do crescimento das vendas externas do agronegócio, que acontece em um momento de significativas elevações dos preços das commodities no mercado internacional.
Deficitária
Isso explica por que o superávit do agronegócio será mais que o dobro do saldo balança brasileira como um todo. Este ano a cadeia produtiva do setor irá exportar US$ 60 bilhões e importar cerca de US$ 7 bilhões. Além disso, o agronegócio brasileiro responderá por cerca de 35% das exportações do Brasil. Ou seja, a exemplo do ano passado, se não fosse o superávit do comércio exterior do agronegócio, a balança comercial brasileira seria deficitária.
Levantamento da série histórica da balança comercial do agronegócio mostra que desde 1994, com exceção de 2004 e 2005, por conta de uma crise agrícola no país, o superávit do setor sempre foi maior do que o saldo da balança comercial brasileira.
*Colaborou Alexandre Rocha