busca

ok

Tempero brasileiro

Joel dos Santos Guimarães

FRONTEIRA SUL

[29/07/2008]

São Paulo - A solidez dos indicadores econômicos, o tamanho do mercado, tanto efetivo como potencial, adicionado a uma renda per capita de US$ 10 mil e o crescimento do comércio exterior brasileiro são os ingredientes de uma receita que fazem do Brasil um dos principais pólos em expansão do mundo.

E é esse tempero que, cada vez mais, tem despertado o apetite dos investidores estrangeiros. Entre 1997 e 2006, eles aplicaram US$ 241 bilhões na cadeia produtiva da economia brasileira.

No ano passado, foram US$ 34 bilhões e, para 2008, a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet) aposta que o ingresso de investimento estrangeiro direto deverá ficar no mesmo patamar de 2007.

E o crescimento do comércio exterior brasileiro e a modernidade da indústria brasileira são os molhos que vem deixando os investidores internacionais com água na boca. “Um terço das exportações do país constituem-se de produtos com alta tecnologia ou médio conteúdo tecnológico", conta o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande Sul (Fiergs), Paulo Tigre, lembrando que a indústria tem peso relevante na economia brasileira: representa 30% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em US$ 1,9 trilhão e 70% das vendas externas do país.

Prato feito

Para Tigre, a nova economia brasileira em desenvolvimento, como a produção de etanol, de energia elétrica limpa, de celulose de fibra e de tecnologia de ponta em extração de petróleo, tem contribuído para atrair investimentos e parcerias:

"A indústria do etanol é das mais promissoras. O país é o maior produtor mundial a partir da cana-de-açúcar. A eficiência da produção é seis vezes maior do que a proveniente do milho, o que nos coloca em franca vantagem frente aos Estados Unidos".

Ao participar, na semana passada em Bogotá, na Colômbia, do seminário “Brasil-Colômbia: Novas Fronteiras de Negócios”, o empresário destacou ainda o setor automotivo como um dos principais itens do cardápio da economia brasileira como fonte de atração dos investimentos internacionais:

Nos próximos três anos, o setor automotivo deve investir US$ 14 bilhões e, nessa década, se destaca pelo investimento da tecnologia de produção de motores flex-fuel, que permite tanto o uso de gasolina como o de álcool (etanol).

À la carte

O Brasil também é pioneiro na tecnologia de extração de petróleo em águas profundas e a produção deve triplicar até 2015. As novas descobertas de jazidas alçaram o país à condição de oitavo maior detentor de reservas do planeta.

Os investimentos em petróleo e gás são estimados em US$ 92 bilhões até 2010. A indústria siderúrgica é outra área dinâmica e de forte competitividade internacional. A capacidade de produção de aço deve dobrar até 2012, alcançando 66 milhões de toneladas.

Sobremesa

O desempenho em geração de energia elétrica e as possibilidades provenientes da flora brasileira também se constituem em oportunidades que a economia brasileira pode proporcionar aos investidores internacionais.

“Enquanto a participação de fontes renováveis na matriz energética mundial é de 14%, no Brasil, esse percentual sobe para 45%. O potencial hidrelétrico do Brasil é de 260 mil MW, dos quais 170 mil MW ainda por serem aproveitados. Há US$ 44 bilhões em investimentos previstos até 2010”, afirma Paulo Tigre, que também é vice-presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).

Outra oportunidade para os investidores vem da flora nacional, em especial da amazônica, uma tendência mundial no desenvolvimento de novos produtos. O Brasil detém 20% de toda a biodiversidade do mundo e é aproveitada pela indústria brasileira em áreas como medicina, fitoterapia, cosmética e nanotecnologia.

Mais pesquisadores

De acordo com a Agência Amazônia, cientistas ligados à Academia Brasileira de Ciência vão pedir ao governo a adoção de medidas urgentes para garantir a fixação de pesquisadores na Amazônia. A idéia deles é ampliar o número pesquisadores doutores na Amazônia dos atuais 2.800 para 4.200 até 2011. Para os cientistas, a permanência dos pesquisadores é a principal armar para proteger a biodiversidade e as riquezas da Amazônia.

Dos pouco mais de seis milhões de quilômetros quadrados que formam a floresta amazônica, 60% encontram-se em território brasileiro. Essa região possui 55 mil espécies de plantas com sementes, o que corresponde a 22% do total mundial. Na Amazônia existem 502 espécies de mamíferos, 1677 de aves, 600 de anfíbios e 2.657 de peixes. Apesar disso, a Amazônia recebe apenas 2% dos recursos que o país destina à ciência e à tecnologia.

Nas asas da Embraer

Embraer e a empresa aérea nigeriana DanaJets, uma divisão de vôos fretados da Dana Airlines, firmaram um contrato para a venda de um jato executivo Legacy 600. A entrega da aeronave, que será configurada com 13 assentos, está programada para o final de 2009. O valor do negócio, referido a preço de tabela, é de US$ 26,93 milhões, baseado nas condições econômicas de janeiro de 2009. Esta encomenda já está incluída na carteira de pedidos firmes do segundo trimestre de 2008 da Embraer. Este é o segundo pedido da empresa nigeriana que, em negócio anunciado em novembro de 2007 durante o Dubai Airshow, encomendou três jatos executivos da Embraer - dois Phenom 100 e um Phenom 300. O início das entregas dos jatos Phenom está previsto para 2011.


Rua Heitor Penteado, 1900 - sala 32A - 3º andar

São Paulo – SP - Cep: 05438-300

Tel. (11) 3151 3416 e 3258 2174