busca

ok

Saiu da lata

Joel dos Santos Guimarães/ANBA

FRONTEIRA SUL

[21/07/2008]

São Paulo - O consumo de azeite de oliva no Brasil vem crescendo de maneira contínua nos últimos três anos - embora ainda pequeno quando comparado a outros países. Os brasileiros consomem hoje cerca de 35 mil toneladas de azeite. Os dados disponíveis mostram que entre 2006 e 2007 o consumo do produto aumentou 45%.

No ano passado, as importações brasileiras do produto somaram US$ 170 milhões. Desse total, 54% oriundos de Portugal. E a previsão é de que o consumo continue aquecido. Para este ano, espera-se um salto de 20% em relação a 2007.

Duas razões são apontadas para o crescimento de mercado: a primeira é que o brasileiro busca cada vez mais produtos saudáveis para consumir. E é sabido que o azeite de oliva ajuda a prevenir doenças cardiovasculares por reduzir os níveis de colesterol.

A segunda, na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira (Oliva), Armando Reis Filho, é o preço do azeite:

"Ao contrário do óleo de soja e outros que, em função da escalada das cotações internacionais, tiveram um aumento de preço, para o consumidor o azeite de oliva seguiu o caminho inverso. Os preços do produto baixaram ou se mantiveram estáveis".

Das arábias

Esses fatores poderiam ser aproveitados pelos países árabes produtores de azeite de oliva, que poderiam se tornar fornecedores alternativos do produto ao país, aumentando sua participação no mercado brasileiro, que hoje é irrisória.

No ano passado, por exemplo, os árabes exportaram algo em torno de US$ 371 mil desse produto para o Brasil. De acordo com exportadores ouvidos pela Fronteira Sul, os árabes, a médio prazo, tem condições de triplicar as vendas desse produto.

Para que isso ocorra, a receita do presidente da Oliva é divulgar ao mercado brasileiro, por meio de campanhas de marketing, organizadas por importadores brasileiros e exportadores e produtores árabes, o azeite de oliva produzido por aquela região do mundo.

Poucos brasileiros sabem que a Tunísia é a quarto maior exportador mundial de azeite de oliva, atrás apenas da Espanha, Grécia e Itália - e bem à frente de Portugal, nosso tradicional fornecedor.

Exportadores garantem que no Brasil são poucos aqueles que têm informações de que os países árabes - Tunísia, Síria, Marrocos, Líbano e Egito - exportam azeite em grande escala. Dados recentes mostram, por exemplo, que os países árabes produtores de azeite são o segundo maior exportador do produto. Juntos, eles colocam no mercado internacional algo em torno de US$ 1,4 bilhão anuais.

Nicho

Depois de lembrar que os imigrantes, quando chegam ao novo país, trazem e
conservam consigo, passando para seus descentes, a cultura e a gastronomia de seus países de origem, o presidente da Oliva conclui:

"No casos dos imigrantes árabes, o azeite de oliva é um componente alimentar diário. E seus descendentes mantêm esse hábito. Portanto, aí está um grande nicho de mercado que os importadores e produtores de azeite dos países árabes podem ocupar aqui no Brasil. E esse nicho, considerando que no país mais de oito milhões de pessoas possuem ascendência árabe, é um excelente filão", diz Reis Filho, que aposta num aumento de consumo per capita do produto no Brasil. Hoje esse consumo é de 15 gramas anuais. Em países como Espanha, Itália e Grécia, esse consumo fica entre 10 e 20 quilos.

Tapete vermelho

O governo brasileiro fez questão de dar uma recepção de primeira linha ao chanceler da Jordânia, Salaheddine Al-Bashir, em sua visita a Brasília. Isso incluiu uma audiência com o presidente Lula, um encontro com o ministro Celso Amorim e um almoço no Itamaraty, considerado bem caloroso por quem participou.

A idéia era retribuir a gentileza do governo jordaniano. Em fevereiro, Amorim esteve no país árabe e foi recebido pelo rei Abdullah II e pelo primeiro-ministro, Nader Dahabi, e ficou muito feliz com o tratamento que recebeu.

Lula disse ao chanceler jordaniano que pretende visitar o país árabe, o que poderá ocorrer no próximo ano, após a viagem do rei Abdullah II ao Brasil, programada para outubro.

Big feira

A Big Five, feira mais importante do indústria de construção civil do Oriente Médio e o maior trade show para o setor do Golfo Árabe contará, na edição deste ano, com a participação de 36 empresas brasileiras. O pavilhão terá 480m², com 36 estandes e área comum. A participação brasileira está sendo coordenada pela Apex com o apoio da Câmara Árabe.

A Big Five acontece em Dubai, vai de 23 a 28 de novembro e deve reunir cerca de 2.000 empresas de 67 países. A feira tem sido importante para os empresários brasileiros do setor ampliarem seus negócios naquela região do mundo. A feira, segundo executivos de empresas brasileiras da construção civil, tem contribuído para o aumento das exportações brasileiras do setor para os 22 países árabes. No ano passado, as vendas externas de material de construção do Brasil aos países árabes renderam quase US$ 380 milhões, ante US$ 311,6 milhões em 2006, um aumento de 22%, de acordo com dados da Câmara Árabe.

O grande vilão

Não se pode atribuir a crise mundial de alimentos apenas aos biocombustíveis e ao aumento da demanda. A ação especulativa dos Hedge Funds (fundos de derivativos) em commodities básicas, como petróleo e grãos, foi responsável por 40% da elevação dos preços dos alimentos.

"A especulação desenfreada dos fundos tem aumentado custos, incentivando empresas privadas a aumentarem seus preços acumulando, assim, lucros astronômicos", diz o professor Eugênio Stefanello, especialista em Economia Rural. Para dar uma idéia do poder especulativo desses fundos, Stefanello lembra que a movimentação dos títulos de commodities negociados nas bolsas de valores é 17 vezes maior que o volume físico da produção mundial.

joel@agenciameios.com.br


Rua Heitor Penteado, 1900 - sala 32A - 3º andar

São Paulo – SP - Cep: 05438-300

Tel. (11) 3151 3416 e 3258 2174