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O gado é criado em pastagem natural ou cultivada, sem confinamento.
Tem gado inglês no sul do país
Cláudia Abreu
Do Portal SRB
[13/06/2008]
São Paulo - Gado vistoso e carne de qualidade. No município de Sant’Ana do Livramento, de 96 mil habitantes, na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, os pastos são tomados por raças bovinas de origem européias como hereford, red angus – raças puras britânicas – e bradford, britânicos híbridos.
São cerca de 650 mil animais no município, segundo o último levantamento da Secretaria Municipal da Agricultura local. Os números e a qualidade dos animais fazem do município um dos principais redutos do país da criação de raças de gado européia.
A história de amor com as raças da Europa na região começou a cerca de 100 anos, de acordo com o pecuarista Ricardo Amaral Furtado, o Caco, da fazenda Reculuta Agropastoril, e nunca mais parou.
Caco, por exemplo, faz parte da quarta geração da família Furtado, que começou a criar gado europeu da raça hereford nos idos de 1908. Hoje, na fazenda de Caco, são cerca de 2 mil cabeças de gado. No início, conta ele, os touros eram trazidos do Uruguai, pois lá estavam os animais de qualidade.
A proximidade com o país vizinho foi fundamental para a seleção das raças criadas em Livramento, também serviu de modelo para os pecuaristas gaúchos.
Os criadores uruguaios sempre estiveram atentos às práticas de melhoria do rebanho e dão preferência à criação de gado solto. O município gaúcho também cria o gado em pastagem natural ou cultivada, sem confinamento, o que garante a qualidade da carne na mesa.
Outro ponto importante para o desenvolvimento do gado foi que as raças se adaptaram bem à região muito em função do clima frio e das fazendas, com grandes extensões de terra, uma característica de Sant’Ana do Livramento.
De acordo com o engenheiro agrônomo Alex Fabiano Fernandes Gomes, da Secretaria da Agricultura, entre as propriedades rurais do município, 70 por cento têm até 200 hectares.
Além de hereford, red angus e bradford, Sant’Ana do Livramento também tem criadores de animais das raças polled hereford, aberdeen angus e brangus. Todas elas são voltadas para a pecuária de corte.
Inseminar
Nos anos 70, a tecnologia de ponta, quando o assunto era pecuária, tinha um nome: inseminação artificial. “Os pecuaristas de Livramento enxergaram essa oportunidade e passaram a investir pesado na novidade”, conta Furtado. Segundo ele, os criadores se organizaram e começaram a procurar formas para melhorar o rebanho. A prática da inseminação artificial logo foi dominada na região e abriu portas para o melhoramento genético.
Um dos programas que tem adesão dos pecuaristas da região é o Conexão Delta G, que permite que os animais tenham o seu desempenho genético monitorado com o uso de modelos matemáticos.
O programa acompanha, por exemplo, a velocidade de crescimento dos animais, a composição da carcaça, a resistência a carrapatos e a quantidade de quilos (soma dos pesos dos filhotes) produzidos pelas fêmeas.
Os animais que não se enquadram nos padrões estabelecidos são descartados para a reprodução e vão para corte. Atualmente, o Conexão Delta G tem um banco de dados com 437 mil animais acompanhados.
Além do Rio Grande do Sul, o programa hoje é integrado por 53 fazendas dos principais estados brasileiros – Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Engloba as raças hereford, braford e nelore e tem o Certificado Especial de Identificação e Produção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que garante que os animais são melhorados geneticamente.
Comércio
A comercialização dos animais também foi uma lição aprendida pelos pecuaristas de Sant’Ana do Livramento. Furtado conta que passou a participar mais de feiras agropecuárias, concorrer a premiações para divulgar mais a marca da agropecuária.
Em 2006, os animais da Reculuta Agropastoril venceram um concurso nacional da raça hereford, o Trio Grande Campeã Hereford PC, realizado em Bagé (RS), durante a Exposição Nacional de Hereford.
No ano passado, repetiu o feito na feira de Alegrete, também no Rio Grande do Sul, na categoria que premia o melhor animal rústico PC (puro controlado).