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Alexandre Rocha
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Situada às margens do Rio Nilo, Cairo é a capital e a maior cidade do Egito

Egito escolhe empresa para tocar programa nuclear

Randa Achmawi

ANBA

[06/06/2008]

Cairo – O ministro egípcio da Eletricidade e Energia, Hassan Yunes, anunciou esta semana que o Egito vai escolher uma empresa estrangeira para prestar assessoria ao seu programa nuclear para fins pacíficos. A noticia foi publicada no jornal Al Ahram, o principal do país.

Segundo o diário, 21 empresas de vários países europeus (Espanha, Grã Bretanha e Suíça), dos Estados Unidos, da Argentina, da Austrália e do próprio Egito se apresentaram desde o lançamento do projeto, em meados de fevereiro, e estão concorrendo para assessorar o governo no desenvolvimento do projeto de implantação da primeira usina nuclear do país, que será dedicada à produção de eletricidade.

O Egito anunciou em 2006 que reiniciaria seu programa nuclear com fins pacíficos. Na época, Gamal Mubarak, filho do presidente Hosni Mubarak e chefe da comissão de assuntos políticos do Partido Nacional Democrático, foi porta-voz da iniciativa e justificou que “em um mundo preocupado com o uso dos combustíveis fósseis, o uso da energia nuclear é uma opção ecologicamente correta".

As autoridades egípcias afirmam necessitar da energia atômica para suprir a demanda por energia provocada pelo crescimento econômico. O país cresce em média 7% ao ano. De acordo com Hassan Yunes, a companhia escolhida será anunciada dentro de três meses, após a avaliação, por especialistas egípcios, das propostas apresentadas. Eles farão a escolha com base nos critérios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), entidade ligada à ONU que é dirigida pelo egípcio Mohamed El Baradei, Prêmio Nobel da Paz em 2005.

“Todo o nosso trabalho esta sendo feito com o apoio e acompanhamento da AIEA, para que ele seja compatível com as normas internacionais” ressaltou o ministro acrescentando que “o Código Egípcio de Energia Nuclear acaba de ser elaborado e deverá ser apresentado dentro de pouco tempo à Assembléia do Povo (Parlamento)".

O Egito tem um interesse antigo pela energia nuclear. “A energia nuclear nos ajudará a produzir eletricidade necessária para dessalinizar a água do mar”, diz o especialista na área, Sayed Ibrahim.

O programa egípcio foi iniciado nos anos 50 e, na década seguinte, o país adquiriu o primeiro reator nuclear da União Soviética. Em 1968 o Egito assinou o Tratado de Não Proliferação Atômica, mas só o ratificou em 1981. O programa estava paralisado desde 1985, após o acidente com a usina soviética de Chernobyl.

Segundo Steve Kidd, porta-voz da World Nuclear Association, organização que promove o uso nuclear pacifico, entre os países do Oriente Médio apenas o Egito e a Turquia têm chances realistas de concretizar suas ambições nucleares. “Outros países podem ter dinheiro, mas a estrutura necessária é complicada de se obter e leva muito tempo”, declarou.


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