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Ostras japonesas são o prato principal em restaurantes de Ribeirão da Ilha
Florianópolis: a capital da ostra japonesa
Geovana Pagel
AGÊNCIA MEIOS
[05/06/2008]
São Paulo - A produção de ostras japonesas no estado de Santa Catarina iniciou em 1991, com 42,9 toneladas de matrizes trazidas do Oceano Pacífico. Hoje a produção anual do estado é superior a 3 mil toneladas, que correspondem a cerca de R$ 15,7 milhões, sendo 60% produzida em Florianópolis - que já virou a capital nacional do molusco.
O sucesso da atividade só foi possível porque os agricultores do mar fizeram o dever de casa. Em 1997, foi criado o Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que realizou muitas pesquisas e adaptou a espécie às águas catarinenses.
A transferência do trabalho desenvolvido no laboratório para os pescadores possibilitou o restabelecimento das atividades marítimas tradicionais, que passavam por um período de estagnação econômica.
“Muitos pescadores deixavam de trabalhar no mar, por causa da baixa lucratividade, para se dedicar a outras atividades. Depois da valorização da produção de moluscos, essa situação foi revertida”, explica o coordenador do Laboratório de Moluscos Marinhos, professor Jaime Ferreira.
Segundo ele, muitas regiões foram beneficiadas pelo crescimento do cultivo de moluscos, como o Ribeirão da Ilha. Impulsionado pelos restaurantes que têm as ostras japonesas como principal prato do cardápio, consolidou-se como um importante pólo turístico da cidade.
Além disso, o desenvolvimento da maricultura beneficiou a implantação e o crescimento de novos setores da economia, como fabricantes de insumos e de equipamentos para cultivo.
No Laboratório de Moluscos Marinhos são desenvolvidas diversas etapas essenciais para o cultivo do molusco, que não produz descendentes no habitat natural no estado. Entre elas, o estoque de reprodutores, a fecundação, a indução para desova e a produção de larvas que depois se transformam nas sementes de ostras que são repassadas aos pescadores.
Além da ostra japonesa, o LMM trabalha com três espécies nativas: a ostra de mangue, a Vieira e o mexilhão. No caso da ostra japonesa, o cultivo da semente em laboratório permite maior controle da produção, que é feita de acordo com a demanda de moluscos por parte de produtores.
De acordo com Ferreira, no início, o LMM tinha capacidade de entregar aos produtores cerca de 400 mil sementes por mês. Atualmente esse número ultrapassa os 5 milhões de sementes/mês. “Com as tecnologias desenvolvidas, o laboratório possui capacidade de triplicar essa produção, assim que a demanda exigir”, garante.
Dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) apontam que hoje a produção de ostra japonesa em fazendas marinhas no estado é realizada por 170 produtores.
Já o número total de produtores, incluindo aqueles que produzem mexilhões é de 767 maricultores. Diretamente trabalhando com a atividade são cerca de três mil pessoas e indiretamente aproximadamente 10 mil pessoas. Santa Catarina produz cerca de 90% da produção brasileira de moluscos cultivados.
Importância ambiental
O meio ambiente também foi favorecido pelo aumento do cultivo da ostra japonesa. Como a atividade deve ser desenvolvida em locais com boa qualidade de água, os produtores ficaram mais conscientes e passaram a se comprometer com a limpeza do ambiente.
Além disso, o molusco concentra material particulado presente na água e cria nichos ambientais, servindo de sistema para auxiliar na remoção do excesso de matéria orgânica da água.
Assim, é comum nos locais de cultivo voltarem os camarões, os siris e os peixes, que podem novamente fazer parte das atividades de pesca dos pescadores artesanais locais.