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ONU:Investimentos em saneamento trariam retorno de R$ 112,2 bilhões

Leandro Kleber

CONTAS ABERTAS

[25/03/2008]

São Paulo - Nota divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) essa semana estima um ganho de US$ 66 bilhões, ou seja, R$ 112,2 bilhões, em benefícios econômicos se a quantidade de pessoas no mundo sem acesso adequado a saneamento fosse reduzida pela metade até 2015. A cada 20 segundos, morre uma criança vítima de más condições de saneamento no mundo. Na nota, a ONU afirma que mais acesso a banheiros limpos e seguros e educação de higiene (combinada com simples mudanças de hábitos como lavar as mãos) poderiam diminuir em dois terços as mortes de crianças por diarréia.

De acordo com as Nações Unidas, as vantagens econômicas, caso a meta de saneamento fosse cumprida, poderiam ser geradas por meio de aumento de produtividade no trabalho e nas escolas, menos gastos médicos, menos dias sem produzir por causa de doenças e mortes relacionadas à falta de condições de saneamento. A entidade cobra mais ações políticas para combater o que chama de “crise de saneamento no mundo”.

Segundo a entidade, mais de 2,6 bilhões de pessoas, 41% da população mundial, não têm acesso a serviços de saneamento adequados. A redução proposta pela ONU até 2015 faz parte dos planos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) - uma série de metas socioeconômicas que os países-membros da ONU se comprometeram a atingir até 2015. Entre elas, estão a erradicação da extrema pobreza e da fome, a redução da mortalidade infantil, a melhora da saúde materna, o combate a AIDS, a malária e outras doenças. Clique aqui para ver todas as metas dos ODM.

Para o Dia Mundial da Água deste ano, o objetivo da ONU é alertar a população sobre um problema de saneamento que afeta mais de uma em cada três pessoas no mundo. A falta de banheiros bem estruturados e as conseqüências do problema na contaminação da água também são pontos debatidos. No Peru, por exemplo, a instalação de vasos sanitários com descargas em residências fez crescer em quase 60% a chance de uma criança alcançar o primeiro ano de vida.

No Brasil, a situação não é diferente: cerca de 43 milhões de pessoas não tem acesso a serviços de saneamento básico. E pior, os gastos com saneamento básico rural e urbano não estão entre as prioridades do governo federal, pelo menos em se tratando dos recursos gastos do Orçamento Geral da União (OGU). Em 2007, por exemplo, dos R$ 4,6 bilhões autorizados em orçamento para saneamento, apenas R$ 728,1 milhões foram gastos, ou seja, 16%.

O Diretor de Políticas para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) internacional, Olav Kjorven, afirmou que em alguns países as meninas são forçadas a ficar em casa e não ir à escola por receio de sofrerem assédio nos banheiros públicos. “São cinco mil crianças menores de cinco anos que morrem todos os dias de diarréia causada por falta de um banheiro decente e de higiene”, diz.

O documento da ONU também afirma que o simples ato de prover banheiros privados e separados por sexo em escolas pode fazer crescer o número de matrículas de meninas em até 11%. Para cada 1% de crescimento na alfabetização de mulheres, a economia de um país cresce em 0,3%.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a importância de adotar medidas. “Péssimas condições de saneamento combinadas com a falta de água potável e de condições de higiene contribuem para as terríveis taxas de mortes associadas ao problema", afirma o secretário. Por meio de um comunicado, Ban lembrou que por ano 1,5 milhão de crianças morrem devido a algo que "perfeitamente poderia ser prevenido".


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