O Banco do Sul. Conveniência ou não?
Michel Abdo Alaby
EM LINHA
[28/01/2008]
São Paulo – Em dezembro de 2007, foi assinada a ata da constituição da nova instituição financeira sul-americana. Inicialmente, os países participantes são: Brasil Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Venezuela e Uruguai.
Para relembrar os fatos, a iniciativa partiu do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tendo sido encampada a idéia imediatamente por Argentina e Bolívia. Logicamente, as três maiores economias da região, Brasil, Argentina e Venezuela terão papel preponderante para que, realmente, o Banco do Sul possa financiar projetos de integração física, energética e de melhoria das condições de qualidade de vida da região, tentando reduzir as desigualdades sociais existentes, tais como investimentos em educação, na ciência e na tecnologia, com fins eminentemente públicos e não a partir de critérios de mercado.
Entende-se que o banco será um instrumento de financiamento regional e não deverá substituir o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, mais conhecido como Banco Mundial ou o Banco Interamericano de Desenvolvimento, porém cabe destacar que os dois bancos de fomento têm caráter global, enquanto que o Banco do Sul está vinculado aos países da América do Sul.
Deve-se considerar que o Banco do Sul não pode se centrar em políticas ideológicas, mas sim no pragmatismo que cerca a integração entre as nações, pautando sua administração com profissionalismo e com uma intermediação financeira rentável, sem nenhuma conotação de subsídios e de favorecimento a setores específicos, a não ser financiar eventuais projetos de pequenas e micro empresas agropecuárias e industriais.
Especula-se que o primeiro projeto a ser financiado pelo Banco do Sul é o mega-projeto da construção do gasoduto que liga a Venezuela à Argentina, conforme os desígnios do Presidente Hugo Chaves. Trata-se de algo polêmico, sem estudos aprofundados e que indica a tendência errônea de utilizar a instituição como instrumento político e não econômico, pois o projeto é altamente contestado por ambientalistas, indígenas e camponeses.
Há dúvidas ainda quanto ao capital do Banco. Comenta-se que estará entre 7 a 10 bilhões de dólares e os três países maiores, conforme mencionado acima, injetariam entre 1 a 2 bilhões de dólares subscrição, cada um.
Outras incógnitas a serem tratadas se referem à estrutura da entidade, a questão da gestão do Banco se estaria submetida ao poder dos que tiverem maior volume de cotas, a sede que será em Caracas e um dos escritórios regionais, será em Buenos Aires-Argentina, a definição dos estatutos, composição da diretoria do Banco, como será a concessão dos empréstimos, entre outros questionamentos.
As vantagens usualmente levantadas para as instituições financeiras multilaterais, tais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento não se devem a fatores como o capital disponível, mas sim a experiência adquirida ao longo dos anos, pela equipe de trabalho com profissionais talentosos e competentes. O requisito humano será fundamental para a gestão do Banco do Sul.
Pergunta-se se não seria melhor fortalecer e modernizar as instituições financeiras já existentes na América do Sul para fomentar os projetos da região, entre elas a Corporação Andina de Fomento (CAF) e o Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), além de permitir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social de atuar na América do Sul, por intermédio de linhas de crédito interbancárias para financiar projetos de infraestrutura na região.
Espera-se que o Banco do Sul não seja mais uma iniciativa política ideológica com vantagem negativa para os países sul americanos, a exemplo de vários mecanismos de integração financeira privada ou pública.
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