Uma receita de 127,3 bi de reais
Joel dos Santos Guimarães
ANSA
[21/01/2008]
São Paulo (Da Agência Meios, especial para a Ansa)- Se 2007 foi o ano da recuperação da agricultura brasileira em 2008, o setor retoma a estrada do crescimento em função da boa safra que o país irá colher aliado aos bons preços internacionais das commodities. Diante desse quadro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimeno (MAPA) prevê que esse ano a renda agrícola (Valor Bruto da Produção) dos 20 principais produtos agrícola deverá chegar a 127,3 bilhões de reais.
A estimativa é 6,8% superior a de 2007 que foi de 119,2 bilhões de reais. De acordo com o coordenador de Planejamento Estratégico do MAPA, José Garcia Gasques, esse valor é o terceiro maior dos últimos 20 anos, perdendo apenas para 2003 e 2004, quando a taxa de câmbio estava bastante favorável às exportações brasileiras.
Gasques, informou ainda que entre os principais produtos de destaque neste ano, a soja continua liderando o ranking do agronegócio nacional. Segundo Gasques, a soja deve crescer 12%, com uma renda projetada para este ano em 32,4 bilhões de reais.
“A Conab e o IBGE estimam uma colheita de 58,2 milhões de toneladas este ano e as cotações subiram expressivamente nos mercados interno e externo”, revelou.
O milho e a cana disputam o segundo lugar entre os produtos agrícolas mais rentáveis. A receita do milho atingirá 19,3 bilhões de reais, 15,6% mais que no ano passado.
Na avaliação de Gasques, a rentabilidade do grão segue valorizada pela demanda para a produção de alimentos, fabricação de rações e produção de biocombustíveis. O milho deve voltar a registrar grandes volumes para a exportação este ano. Já para a cana-de-açúcar, a projeção de renda é de 19,2 bilhões de reais, queda de 8,5% em relação a 2007. “O desempenho da cana reflete os efeitos da queda dos preços do etanol no mercado doméstico, apesar da recuperação das cotações do açúcar no exterior”, observa Gasques.
A renda agrícola foi calculada multiplicando-se o volume da produção da safra agrícola pelo preço recebido pelos produtores nas principais praças do país. O valor real da renda (descontada a inflação) é obtido pelo Índice Geral de Preços -Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
De acordo com Gasques, o valor de desempenho da agricultura é importante, pois sinaliza para o mercado qual o comportamento e a tendência das commodities.
Exportações irão crescer
De acordo com exportadores, o acréscimo de demanda nos países asiáticos e nos produtores de petróleo somada à produção de etanol nos Estados Unidos, que reduz a oferta de milho no mercado internacional, vai manter, este ano, o mercado mundial de produtos agrícolas aquecidos. "Não há nada que impeça que as exportações brasileiras continuem crescendo. O mundo continua comprador e o Brasil continua sendo um grande fornecedor", afirma o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães.
"As exportações serão boas, acima dos níveis de 2007 em função da demanda mundial, que deve crescer 4%", explica o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho. O presidente da SRB avalia que o cenário internacional continua "muito favorável" ao agronegócio brasileiro, com a abertura de novas possibilidades especialmente nos mercados da Índia e da China. “As nossas vendas de carnes, soja e seus derivados para aquela região do mundo devem continuar crescendo”.
Diante desse quadro, o mercado projeta para esse ano um crescimento de até 15% das vendas externas da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro. No ano passado, as exportações do setor somaram 58,5 bilhões de dólares, o que representou um crescimento de 18,4% em relação aos 49,4 bilhões de dólares que o país exportou em 2006.
Com importações de 26,9 bilhões de dólares, o saldo da balança comercial do agronegócio, em 2007, foi de 50 bilhões de dólares, superior em 17% ao superávit registrado em 2006.