Quesito educação: nota 0
Débora Rubin
CHAMADA
[05/12/2007]
São Paulo – Está lá estampado em todos os jornais de hoje: mais uma vez, em mais uma avaliação sobre educação, o Brasil está nas últimas posições. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que é feito de três em três anos, foi divulgado ontem (dia 4) pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A avaliação é feita em 57 países. Alunos de 15 anos respondem a questões de matemática e de leitura. Em matemática, ficamos com o desonroso 53º lugar, empatados com a Colômbia e à frente apenas do Quirguistão, Catar e Tunísia. Em leitura, ficamos em 48º lugar.
Além das constatações de sempre – a de que não sabemos ler nem somar, a de que os alunos das escolas particulares vão melhor que os das escolas públicas, etc – o que assusta não é o resultado em si, mas olhar para uma notícia dessa e já achar normal. Afinal, quando foi mesmo que estivemos entre os primeiros lugares de um ranking como esse? No páreo com a Coréia do Sul e a Finlândia (as primeiras colocadas em leitura do PISA)? Minha memória não alcança além dos meus 28 anos, mas até onde eu sei, isso nunca aconteceu.
Dizem (e meus pais adoram contar essa história) que a escola pública já foi boa. Mas isso num tempo em que a população não passava dos 70 milhões em ação e que destes, poucos privilegiados iam à escola. Estudar era luxo. Botar a mão na massa, ou melhor, na terra, era mais importante.
Percebi também que os jornais destacaram o fato de que em relação ao Pisa de 2003, o país melhorou em matemática e piorou em leitura. Honestamente? Que importa subirmos alguns pontinhos se ainda estamos bem abaixo da média – na lanterninha, como adoram escrever os jornalistas que acompanham educação.
O Pisa é a avaliação mundial mais importante de comparação internacional de educação. Esfrega na nossa cara que os países que investiram em uma séria reforma educacional, como as já citadas Coréia do Sul e Finlândia, colhem os louros.
O resultado proporcionado pelos 9.295 alunos que fizeram a prova em 2006 é tão gritante quanto o diálogo que tive hoje cedo com um funcionário do prédio onde eu moro. Eu disse que o elevador estava cheirando a álcool – só para puxar papo – e ele me respondeu que o álcool é a melhor coisa para “desafetar” o elevador. Tem gente que acha isso engraçado e faz troça com quem fala errado. Eu saí do elevador arrasada. Pensei: será que ainda dá tempo de ensinar as crianças de hoje a falar desinfetar? Peguei o jornal no farol, vi o resultado do Pisa 2006 e conclui que lá se vai mais uma geração que deixamos passar sem uma educação decente.
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