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TV, chá e Fairuz

Débora Rubin

ANBA

[13/11/2007]

São Paulo - As casas onde estão vivendo os palestinos ficam em bairros diferentes de Mogi das Cruzes. Os solteiros vivem sozinhos em seus apartamentos. No geral, são casas espaçosas e confortáveis. Todos receberam móveis e utensílios. Mesmo sem falar a mesma língua – ainda - os palestinos fazem questão de receber muito bem as visitas.

Em uma das casas visitadas pela ANBA, a TV ficou ligada o tempo todo. Enquanto os moradores contavam sobre suas vidas nos tempos de Iraque e Jordânia aos visitantes, o desenho do pica-pau preenchia a telinha. Eles não entendem nada do que ouvem na TV, mas a imagem conforta. Em outra casa, é o aparelho de som que tem um papel mais importante. De um pequeno aparelho de fita cassete, sai o som da libanesa Fairuz, uma das preferidas por ali. "Gosto muito das mensagens dela", explica a dona da casa, em um inglês arrastado.

Em cada casa visitada, uma rodada de chá. Mesmo num dia quente e abafado, o chá é servido quente. Depois vem o café à moda árabe, sem coar. Em uma das três casas visitadas pela ANBA, é oferecido um farto almoço. Ali se come com colher. Os donos da casa ficam de olho para se certificar de que as visitas estão sendo bem servidas.

Em todas as casas, há um desejo muito grande de falar. Os moradores querem contar de suas vidas, seus percalços, os parentes que foram mortos ou que ficaram para trás. As mulheres gostam de mostrar os trabalhos artesanais que fizeram durante os longos quatro anos no campo de refugiados na Jordânia. São panos bordados, porta-retratos, xales e tricô.

Quando não há tradutor disponível, eles seguem falando com o interlocutor como se todos na sala pudessem entender o árabe perfeitamente. Eles sabem que não. Mas a entonação das palavras e o sorriso intercalado com lágrimas falam por si só.


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