Duplamente refugiados
Débora Rubin
ANBA
[13/11/2007]
São Paulo - Existem mais de 10 milhões de palestinos no mundo, considerando os descendentes das primeiras gerações que deixaram a Palestina entre 1947 e 1948, com a criação do Estado de Israel, e em 1967, em decorrência da Guerra dos Seis Dias. Desse total, 3,9 milhões ainda vive nos territórios palestinos e mais 1,3 milhão em Israel. Segundo a ONU, 4,3 milhões são refugiados e estão espalhados pelo mundo, sobretudo nos países árabes vizinhos. Somente na Jordânia, entre refugiados e descendentes, há 3 milhões. Fora do mundo árabe, a maior comunidade palestina fica no Chile, onde há cerca de 300 mil palestinos.
Os 108 refugiados que vieram para o Brasil fazem parte do Programa de Reassentamento Solidário, implementado pelo governo brasileiro em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). O programa tem como enfoque realocar pessoas que já tinham se refugiado em um país e, por alguma razão, não puderam ficar naquele lugar. O Programa é recente no Brasil e, antes dos palestinos, a única experiência era com colombianos. Somando colombianos e palestinos, hoje são 350 atendidos pelo Programa.
Para receber os palestinos, as equipes do Acnur e das ONGs parceiras tiveram que aprender sobre a cultura e os hábitos dos árabes. Alguns estão até estudando a língua. Durante dois anos, os refugiados receberão ajuda financeira e terão os aluguéis de suas casas pago. Segundo Luis Varese, representando do Acnur no Brasil, o Alto Comissariado é a única agência da ONU que não tem orçamento próprio e conta exclusivamente com a doação de países e pessoas físicas de todo o mundo.
Além do Brasil, o Acnur realocou refugiados palestinos no Canadá, Nova Zelândia, e agora o Chile está se preparando para receber um grupo de cem pessoas. "O trabalho do Acnur contempla um universo de 32 milhões de pessoas. Somente no Iraque, cerca de cem mil pessoas deixam o país todos os meses", disse Varese em entrevista à ANBA.
Sobre a experiência com os palestinos no Brasil, Varese acredita que ainda é cedo para fazer uma "avaliação científica". "Mas tirando reações de desapontamento, o que é natural, a resposta tem sido ótima. O pessoal está muito contente".