Do café ao vestuário
Cláudia Abreu e Débora Rubin
BRASILEIROS
[24/10/2007]
São Paulo – Em um estado com forte vocação agrária, o Paraná, existe um pólo que ser orgulha de produzir roupa. A cidade de Cianorte, que se auto-declara a capital nacional do vestuário, também já tirou seu sustento do campo. Quando o ciclo do café chegou ao fim, na década de 70, um tímido movimento de confecções iniciado pela colônia libanesa começou a ganhar corpo – principalmente com a mão de obra excedente que deixava a atividade cafeeira. Nos anos 90, veio a consolidação do pólo com a criação de shoppings atacadistas e a Rua da Moda, onde são feitas vendas ao ar livre.
Hoje, em Cianorte e mais dez cidades da região, são mais de 400 confecções e diversas empresas relacionadas à atividade, como lavanderia e estúdios de criação. Segundo a prefeitura da cidade, a cada cinco cianortenses, dois trabalham no setor. De acordo com Jorge Ferreira, consultor do Sebrae em Cianorte, o pólo vende suas roupas para o Brasil inteiro, mas seus principais mercados são o Sul do Brasil, o interior de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. “Há ainda clientes no Mercosul e muita coisa que chega no Japão via dekasseguis – trata-se de um movimento não registrado por ser informal, mas é relevante”, diz Ferreira.
Como no Bom Retiro, os empresários começaram a se preocupar com o lado mais, digamos, “fashion” do negócio. Segundo Ferreira, os próprios donos de confecção estão buscando cursos de moda oferecidos em universidades da região. Mas o que falta mesmo na cidade não é estilista, mas costureiros. “Falta mão de obra especializada. Eu arrisco a dizer que existem umas cinco mil vagas a serem preenchidas aqui”.