Saem as flores, entram os canhões
Cláudia Abreu e Débora Rubin
BRASILEIROS
[18/10/2007]
São Paulo – Zuzu Angel conquistou as estrelas de cinema com sua moda alegre, estampas coloridas, com borboletas, pássaros e flores. Usou chita, rendão, bordados, pedras preciosas de Minas Gerais e muitos, muitos babados. Em 1968, apresentou sua alegre coleção nos Estados Unidos, as freguesas hollywoodianas vieram. Kim Novak, Liza Minelli e Joan Crawford compravam de Zuzu. A ditadura militar, no entanto, a desafiou a produzir uma outra moda, a moda protesto, assassinando o seu filho Stuart Angel, opositor do governo. Angel foi preso em 1971 e logo depois dado como desaparecido – eufemismo para quem tinha sido morto nos porões do regime. A moda alegre ficou triste e Zuzu ganhou armadura de guerreira. No mesmo ano do desaparecimento do filho, Zuzu desfilou sua nova coleção em Nova York, na residência do cônsul brasileiro Lauro Soutello. Os vestidos rodados, as saias amplas estavam lá, mas as estampas já não eram as mesmas. No lugar de borboletas e flores, canhões e tanques de guerra. Em vez de pássaros livres, aves engaioladas, tristes e pombas negras. Com a cabeça a prêmio, em abril de 1976, Zuzu foi morta pelos mesmos algozes de seu filho, num suposto acidente automobilístico.