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A bolsa que te carregue

Cláudia Abreu

COSTURA FINA

[16/10/2007]

São Paulo – As bolsas femininas estão cada vez maiores. E isso me assusta. No ano passado elas já eram meio grandinhas, mas até simpáticas. Este ano, chutaram a mala. As bolsas cresceram, cresceram, cresceram. Basta dar uma olhadela nas vitrines, alguns manequins pendem para um lado ou para o outro para dar sustentação à bolsa imensa, colorida. Bonita, é verdade, mas grande, muito grande. E para quê? Fiquei me perguntando isso no final de semana, olhando vitrines, passantes e até camelôs – as bolsas grandes podem atrapalhar as vendas, pensem nisso, cabem um número menor de bolsas na barraquinha, os trolhões ocupam muito espaço.

E uma coisa é certa: quanto maior a bolsa, mais coisa a gente bota dentro. Na minha são duas caixas de óculos de sol (pra quê?), caderninhos (uns três), agenda, pasta, carteira, dois batons, dois porta-cartões, documentos (muitos), documentos do carro, algumas canetas, blusa (por causa do tempo maluco), porta-moedas, celular, calculadora – ufa, tem mais?? E até deve ter, só que está perdido em um dos muitos bolsos da bolsa. E, vejam bem, ela não é nenhum dos modelos gigantes que estou comentando, se encaixa no tamanho médio para grande.

Pois bem, em períodos de tentar simplificar a vida, acho que a bolsa grande não coopera. Vai contra as tendências de bem estar. Levamos muito mais coisas do que precisamos, afinal temos que encher o trolhão, para não ficar parecendo um saco vazio desconexo, se é para estar na moda, vamos fazer direito. O resultado, acredito, é que esse excesso de peso não faz bem à saúde frágil de quem tem dias cada vez mais corridos, atrapalhados, enfrenta o estresse da cidade – também grande. Ciático, dores musculares, nos braços entram e ficam na nossa rotina. Por vezes me sinto o próprio Harry Potter puxando o seu malão a caminho da escola de magia Hogwarts.

E quem é mãe então? Ai, ai, a coisa fica ainda mais complicada. Soma-se ao malão atual que nos sugerem usar, a mochila da escola, a lancheira, um brinquedo – ah é, as crianças sempre carregam algum brinquedo -, uma blusinha, pois o tempo pode mudar a qualquer momento. Enfim, cabe bem a expressão: burro de carga. Burro de carga com malão. Mas ninguém pode negar que não estamos na moda, isso não. Então poderemos usar outra expressão bem batida: escrava da moda com malão, bolsão ou qualquer outro nome que se dê ao acessório.

Um apelo aos criadores das próximas estações: que tal reduzirmos um tiquinho o tamanho das bolsas para o bem estar dos que as carregam? Seria um tipo de moda responsável, o que está muito na moda hoje em dia. E também ajudaria a quebrar o ciclo, senão, daqui a pouco, nós é que seremos carregadas pelos bolsões, malões etc.

claudia@agenciameios.com.br


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