Sertão colorido
Cláudia Abreu e Débora Rubin
BRASILEIROS
[16/10/2007]
São Paulo – Com uma produção estimada em 1,5 milhão de toneladas de algodão em pluma para este ano, 46,5 por cento acima da produção registrada no ano passado, o Brasil é o quinto maior produtor de algodão do mundo. Quantidade, entretanto, não é o único diferencial brasileiro. Em meio à tamanha oferta da pluma branca, ganha corpo a produção do algodão naturalmente colorido: os cotonicultores do sertão da Paraíba, que concentra o grosso da produção deste tipo de algodão, devem colher este ano cerca de 1.350 toneladas.
O algodão naturalmente colorido não constitui propriamente uma novidade. Fibras coloridas datadas há mais de 4.500 anos foram encontradas em escavações feitas recentemente no Peru. O passado remoto do algodão colorido está sendo resgatado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Os pesquisadores da instituição iniciaram de desenvolvimento na década passada, que resultou no lançamento da primeira variedade colorida do Brasil, de tonalidade pluma cáqui. Depois desta, os pesquisadores da Embrapa desenvolveram uma variedade de coloração verde, a partir de trabalho realizado com técnicos norte-americanos. A novidade foi lançada em 2003, abrindo caminho para novos avanços: em 2005, a Embrapa lançou duas variedades com diferentes tonalidades de marrom.
“As próximas variedades serão nas cores chocolate e amarelo”, adianta o pesquisador Luiz Paulo de Carvalho, da Embrapa. O trabalho de desenvolvimento de uma variedade de algodão colorido, informa ele, demanda cerca de oito anos.