O italiano árabe
Débora Rubin
ANBA
[21/09/2007]
São Paulo - Miguel Giorgi Júnior nasceu na 25 de março, cresceu ali, desceu a ladeira Porto Geral de carrinho de rolimã e viu sua mãe tocar seu próprio negócio na famigerada rua. Mas ao contrário da maioria de seus colegas de infância, ele não é de família árabe, mas italiana. "Cresci entre os patrícios, sou praticamente um 'turquinho'", diz de forma carinhosa, usando o termo pelo qual os sírio e libaneses foram alcunhados durante muitos anos no Brasil. "E ainda por cima, tenho nome e cara de árabe", diverte-se o atual presidente da Univinco, associação dos lojistas da região.
Sua gratidão aos vizinhos árabes é enorme. Não fosse eles, talvez não estivesse hoje no comando da quase cinqüentona Gaivota Artesanato, loja que começou como um pequeno ateliê montado por sua mãe, filha de imigrantes italianos. "Imagine uma mulher, italiana, no meio de uma colônia maciçamente árabe. Tinha tudo para não dar certo. E foi o contrário, ela foi muito bem acolhida. Inclusive quando ela passou por enormes dificuldades, uma família em especial nos ajudou muito, os Chohfi, a quem sou eternamente grato".
No comando da loja, que fica na rua Basílio Jafet e é uma referência para quem trabalha com artesanato, e da entidade que representa cerca de 300 lojistas no bairro, o empresário e presidente da Univinco é acima de tudo um apaixonado pela 25. "É minha terra natal", resume.