UNICEF anuncia queda nas taxas mundiais de mortalidade na infância
Da redação
Do UNICEF
[13/09/2007]
Brasília - Pela primeira vez mortes de crianças menores de cinco anos são inferiores a 10 milhões por ano. Os dados estatísticos mais recentes do UNICEF indicam que houve queda nas taxas de mortalidade entre crianças menores de 5 anos. O número global de mortes de meninos e meninas caiu a níveis inéditos, atingindo 9,7 milhões de mortes por ano. Em 1990, esse número chegou a quase 13 milhões em 1990.
Os dados estatísticos resultam de diversas fontes de dados dos países e de duas pesquisas: a Pesquisa de Indicadores Múltiplos Conglomerados (MICS) e a Pesquisa de Demografia e Saúde, ambas conduzidas pelo UNICEF. A série mais recente de pesquisas MICS foi feita em mais de 50 países entre 2005 e 2006. Juntamente com as Pesquisas de Demografia e Saúde patrocinadas pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), as pesquisas MICS constituem a mais importante fonte individual de informação sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e formam a base para trabalhos de avaliação a respeito da sobrevivência infantil.
“Vivemos um momento histórico”, afirmou a diretora executiva do UNICEF Ann Veneman, “Mais crianças estão sobrevivendo hoje do que em qualquer outro momento. Devemos aproveitar o impulso deste êxito na área da saúde pública para conquistar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”.
De acordo com as metas estabelecidas pelas Nações Unidas e assinadas por vários países, incluindo o Brasil, o mundo deve reduzir em dois terços o número de crianças que morrem antes de completar o quinto aniversário até 2015.
Ann Veneman disse também que, apesar das boas notícias, a comunidade mundial não deve dormir sobre os louros.“Perder 9,7 milhões de vidas de crianças continua a ser um fato inaceitável.
Essas mortes podem ser evitadas. Quando os meninos e meninas têm acesso aos serviços de atenção à saúde integrados e comunitários, com o respaldo de sistemas de notificação eficientes, é possível salvar muitas dessas vidas”.
Os resultados divulgados hoje em Nova Iorque confirmam o progresso obtido com a queda nas taxas de mortalidade por sarampo, observado desde 1999, com uma redução de cerca de 60% no número de mortes causadas por essa doença. Nos países da África ao sul do Saara, a proporção caiu cerca de 75%.
No Brasil, a taxa de mortalidade entre crianças menores de cinco anos caiu de 50,6 para 31,1 por mil nascidos vivos entre 1990 e 2005, representando uma redução 48%. Nos últimos 5 anos, essa redução na taxa significou que as mortes de mais de 20 mil crianças foram evitadas. Para alcançar a meta do milênio, o Brasil se comprometeu a diminuir a taxa de mortalidade de crianças com menos de cinco anos para 23,4 por mil nascidos vivos até 2010.
A região da América Latina e Caribe está próxima de conquistar o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio que diz respeito à mortalidade na infância, uma vez que das 55 mortes entre cada 1.000 nascidos vivos registradas em 1990, essa região passou a apresentar apenas 27 mortes por 1.000 nascidos vivos.
Em vários países, o progresso obtido com relação às pesquisas anteriores (de 1990 e 2000) também foi notável. Marrocos, Vietnam e República Dominicana, por exemplo, reduziram em mais de um terço as taxas de mortalidade de menores de cinco anos. Em Madagascar, a taxa diminuiu 41%, enquanto em São Tomé e Príncipe registrou-se uma queda de 48%.
Dos 9,7 milhões de crianças que morrem todo ano, 3,1 milhões correspondem à Ásia Meridional e 4,8 milhões à África ao sul do Saara. Nos países em desenvolvimento, em geral, as taxas de mortalidade na infância são consideravelmente mais altas entre os meninos e meninas que vivem em áreas rurais e cujas famílias são mais pobres. Nos países desenvolvidos, a taxa de mortalidade infantil é de apenas 6 por 1.000 nascidos vivos.
As taxas mais elevadas de mortalidade na infância continuam a ser registradas nos países da África Ocidental e Central. Na África Meridional, entretanto, a propagação do HIV tem impedido o progresso em prol da sobrevivência dos meninos e meninas, que havia sido conquistado com grande esforço.
Grande parte dos avanços obtidos em diversas partes do mundo se deve à adoção generalizada de ações e políticas de saúde básica, como o aleitamento materno precoce e exclusivo, a vacinação contra o sarampo, a oferta de suplementos de Vitamina A e o emprego de mosqueteiros impregnados com inseticida para evitar a malária.
“Os novos dados que temos demonstram que é possível avançar quando as medidas que já provaram ser eficazes são expandidas em caráter de urgência para toda a população ameaçada”, explicou a Diretora Executiva do Unicef, Ann Veneman.“Na África e em outras partes do mundo é necessário que se passe a agir em prol da sobrevivência dos meninos e das meninas”.