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A jornalista Isaura e uma personagem da sua matéria: touro de 1,2 tonelada criado no semi-árido
Jornalismo pé na estrada
Da Redação
ANBA
[11/09/2007]
São Paulo - “Jornalismo pé na estrada -assim deve ser classificada a matéria de Isaura Daniel. É a velha e boa reportagem, aquela onde o repórter troca a comodidade da cadeira da redação, abandona o telefone e sai em busca do Brasil Real”, diz Joel dos Santos Guimarães, editor chefe da ANBA, sobre a reportagem que levou o Prêmio Embrapa de Reportagem na categoria Internet, anunciado ontem (10/09), em Brasília. O resultado da peregrinação da repórter pelo sertão pernambucano e piauiense resultou em uma série de reportagens que mostra como pequenos agricultores nordestinos domam o semi-árido e tiram dele a sua sobrevivência.
Isaura passou quatro dias percorrendo cidadelas pobres de Pernambuco e do Piauí para conhecer de perto essa gente que faz da dificuldade um desafio. Lá, ela descobriu como o uso de tecnologias simples, como o barreiro, uma escavação feita na terra para reter a água da chuva, está mudando a vida de inúmeras famílias. Foram quase vinte produtores entrevistados. A jornalista conta que se surpreendeu ao conversar com jovens produtores rurais, que apesar das condições adversas, não mostraram vontade de ir embora para a cidade. "Muito pelo contrário, acreditam no futuro da agricultura do semi-árido", diz.
Isaura foi à casa desses produtores, conheceu suas propriedades e viu de perto o “milagre” da tecnologia. Ela também conversou com especialistas em semi-árido como o chefe geral da unidade Semi-Árido da Embrapa, Pedro Carlos Gama da Silva, e o gerente da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), Egnaldo Gomes Xavier. A boa nova que ela colheu no sertão é fruto de um sério trabalho feito por entidades como a Embrapa, que capacita moradores da região e faz com que essas pessoas divulguem e propaguem esse conhecimento entre seus vizinhos.
Em Acauã, interior do Piauí, Isaura encontrou famílias entusiasmadas com o seu papel de produtores rurais, como Luzinéia de Souza Rodrigues Amorim e João Batista Amorim, que vivem com dois filhos pequenos em uma área embrenhada no meio da caatinga. Com a criação do barreiro, a lavoura de milho da família, de meio hectare, plantada no final de fevereiro, contou com míseros 40 milímetros de chuva - mas graças à água armazenada, a safra deve render 480 quilos, número bom para a região.
"A imprensa tem dado atenção especial à questão do semi-árido nos últimos tempos. O tema chama a atenção por ser um problema social, mas também porque estão surgindo alguns arranjos produtivos importantes no semi-árido, como a fruticultura. São projetos que têm importância para a economia da região e do país. É uma nova imagem do sertão: não a do combate à seca, mas de uma região onde as limitações de recursos naturais não é mais problema", diz Pedro Gama, da Embrapa.
O sétimo prêmio
“Esse prêmio é a soma de todos as coisas boas que temos na ANBA: uma equipe competente, focada, que conhece os objetivos da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e, principalmente, que ama o que faz”, comemora o presidente da Câmara, Antonio Sarkis Jr. “Isso prova que os projetos apresentados pela ANBA se justificam. Muitas vezes é preciso ir longe para buscar a melhor informação.”
O vice-presidente Administrativo da Câmara, Paulo Sérgio Atallah, acredita que a matéria só reforça a missão da ANBA em ampliar a parceria entre o Brasil e os países árabes. “A forma como a Embrapa orienta, auxilia e difunde conhecimento entre esses produtores pode servir de exemplo para outros tantos países em desenvolvimento com problemas de escassez similares ao do semi-árido nordestino”, acredita. “A Embrapa pode até exportar esse trabalho”. Para ele, o prêmio é apenas conseqüência de uma matéria pautada pelo jornalismo sério, aprofundado.
A ANBA estreou na rede no dia 17 de setembro de 2003. Uma iniciativa da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, com um projeto criado pela Agência Meios, a ANBA está prestes a completar quatro anos de existência. O objetivo é fomentar as parcerias entre o Brasil e os 22 países árabes, sobretudo em relação ao comércio exterior. Mas nem só de negócios vive a ANBA. O intercâmbio de culturas, educação, gastronomia, arte, esportes e tudo mais que possa unir brasileiros e árabes está no dia-a-dia da agência.
Além dos sete prêmios de jornalismo recebidos nos últimos anos, o número de acessos não pára de crescer. De janeiro a agosto deste ano, a ANBA teve 1,6 milhão de acessos – quase o mesmo número do ano de 2006 inteiro (1,7 milhão). Nos últimos três anos, foram 4 milhões. O recorde de acessos foi em julho deste ano, quando a matéria premiada foi veiculada: 263 mil.
O prêmio
O Prêmio Embrapa de Reportagem foi criado em 1995 para estimular os temas relacionados à pesquisa agropecuária na mídia brasileira. Em onze anos de edição, mais de sessenta pessoas foram premiadas nas categorias rádio, TV, impresso e, desde 2006, Internet. Neste ano, além da ANBA foram premiados Murilo Ramos, da revista Época, com a reportagem “A Próxima Revolução”; Vera Souto e equipe do Jornal Nacional com a reportagem “Agroenergia” e na categoria Rádio, Giane Guerra, da Rádio Gaúcha, com “O Álcool Gaúcho”.
Esse é o segundo prêmio que a jornalista Isaura Daniel ganha pela ANBA neste ano. O outro foi o Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo pela matéria "A corrida pelo frango perfeito", sobre novas tecnologias na produção brasileira de frango. Ela já ganhou, no ano, o Prêmio Embrapa de Reportagem categoria impresso pelo jornal Zero Hora, onde trabalhava, com a matéria "Gaúchos desbravam o Paiuí".
Repercussão
"Esta reportagem da brava repórter Isaura Daniel, que certamente não foi feita por telefone, deveria ser enviada aos editores e colunistas da chamada grande imprensa para mostrar que há vida brotando fora dos gabinetes oficiais, longe das fontes do mercado, bem ali onde o Brasil fora do eixo São-Paulo-Brasília-Rio está aprendendo a enfrentar as dificuldades com muita garra e criatividade.
Para conhecer este Brasil real, no entanto, é preciso fazer como a Isaura: sair da redação, ir lá onde o povo planta e colhe para saber o que de novo está acontecendo.
Só assim descobrirão o trabalho dos agentes de desenvolvimento sustentável - dos quais eu nunca havia ouvido falar nos jornais que leio todos os dias e nos comentários que ouço nas rádios e televisões.
Descobrirão a saga da família Barbosa, com as novas tecnologias levadas pelo jovem Crauzimiro para conhecimento do pai, Antonio José, e tudo o que é feito com os 12 bilhões/ano que o governo federal destina à agricultura familiar, responsável por mais de 70% dos empregos no campo.
Os pesquisadores da Embrapa estão podendo ver e pegar os frutos de seu trabalho de muitos anos _ um trabalho quase anônimo para nós que só colhemos os resultados nos grandes centros.
Trabalhos como esse da Isaura Daniel ajudam a apresentar um Brasil ao outro - aquele que produz, mesmo em meio à adversidade, e aquele que se cansa só de ver nas manchetes sempre as mesmas desgraceiras, como se o país estivesse acabando".
Ricardo Kotscho
Diretor adjunto da revista Brasileiros e um dos repórteres mais premiados do país
"Soube do prêmio que vocês ganharam. Aliás, mais um para a coleção da Anba. Fica provado que é possível fazer coisas sérias e boas mesmo longe dos grandes veículos de comunicação.
Num momento em que jornais, TVs e emissoras de rádio trabalham com o mínimo, que reduzem suas equipes, que não investem em reportagens, vejo com alegria o resultado final de voltar ao campo, de mandar as pessoas apurarem in loco.
Isso é jornalismo, isso dá orgulho a todos que como nós trabalhou durante anos em veículos e que sempre sonhou com um mundo melhor.
Parabéns a você, a toda a equipe, aos patrocinadores dessa feliz idéia."
Eleno Mendonça
Diretor de Comunicação
DPZ Propaganda