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Pelo ar é mais rápido

Débora Rubin e Geovana Pagel

BRASILEIROS

[29/08/2007]

São Paulo - Apenas 0,4% de todo o transporte brasileiro de cargas é feito pelos ares. É pouco perto do todo, mas tende a crescer, sobretudo por causa das exportações e importações por aviões. É pelo céu que vão as encomendas emergentes e as entregas de pequenas e médias empresas, feitas sobretudo via Correios. É um modal estratégico para quem tem pressa em suas entregas.

Em termos de exportação, grande parte da carga ainda é composta por frutas e flores. E ainda assim, é pouco volume: apenas 3% das 802 mil toneladas de frutas exportadas em 2006 foram por avião. No entanto, aos poucos vem crescendo a movimentação de aparelhos eletroeletrônicos e outros produtos de pouco peso e alto valor.

Hoje, dos 67 aeroportos brasileiros, 32 possuem terminais de logística de carga – esse braço representa 22% do total do faturamento bruto da Infraero. A expectativa da estatal é de fechar o ano com R$ 725 milhões em receita de carga.

O Aeroporto Internacional de Guarulhos (Cumbica), o maior da América do Sul, é principal responsável por essa movimentação, seguido por Viracopos, em Campinas, que vem se tornando cada vez mais uma referência em cargas aéreas, e ainda os do Galeão (Rio) e Manaus (AM).

Guarulhos é procurado por empresários do Brasil inteiro por seu volume de vôos, 475 por dia, e a variedade de destinos – 117 cidades nacionais ou estrangeiras. Por essa razão, muita carga vem por modal rodoviário até São Paulo para então seguir para exportação via Cumbica.

No aeroporto do Galeão, foi inaugurado em junho o Terminal de Exportação (TECA), uma área de 10 mil metros quadrados para dar suporte às vendas externas. Em seu primeiro mês de funcionamento, passaram por ali 1,8 mil toneladas de carga. A idéia é construir, ainda este ano, mais TECAs em outros aeroportos.

O projeto faz parte dos projetos previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para incrementar o comércio exterior – hoje, feito essencialmente via marítima (95% da movimentação de exportações e importações vão pelos mares).

Como todos os meios de transportes, o aéreo também tem seus percalços. A pedra no sapato desse modal vem sendo a crise aérea desencadeada pelo acidente da Gol, em setembro do último ano, e reiterada pelo acidente da Tam, em São Paulo, no dia 17 de julho. Com tantas falhas, o sistema vem se mostrando cada vez mais frágil e carente de uma reestruturação geral.


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