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Escravos de Jó

Joel Santos Guimarães

EM LINHA

[27/08/2007]

São Paulo - "Pequenas Mãos da Escravidão" é o título de um relatório divulgado pela ONG britânica “Save the Children” (Salvem as crianças). O documento denuncia que em todo o mundo mais de seis milhões de crianças são submetidas a trabalho escravo, sofrem agressões dos adultos ou são violentadas regularmente.

Torturar, seviciar e explorar o trabalho infantil não é uma “praga” apenas dos chamados países do Terceiro Mundo. Não, senhoras e senhores brasileiros não são apenas vocês que judiam dos pequenos.

Esse mal atinge também a chamada civilização européia e norte-americana. Os dados da “Salvem as Crianças” mostram, por exemplo, que hoje em todo o planeta Terra existem pelo menos 1,8 milhão de crianças vítimas das redes que exploram a prostituição. Todas essas organizações estão sediadas no chamado Primeiro Mundo.

Mais de um milhão de menores, denuncia a ONG, trabalham como escravos. Milhões de crianças com menos de seis anos de idade trabalham mais de quinze horas diárias como trabalhadores domésticos nas mansões dos milionários e da elite do Primeiro e Terceiro Mundo.

No tal Primeiro Mundo, o relatório mostra que alguns ingleses são chegadinhos a bater em uma criança, torturá-las e violentá-las. O relatório da "Save The Children" garante que na Grã-Bretanha há pelo menos cinco mil crianças escravas do sexo. Desse total, 75% dos menores são meninos.

Ou seja, são forçadas pelos adultos (leia-se se, muitas vezes, pais e mães) a se prostituírem. São obrigadas a vender seus corpos para beneficiar economicamente os adultos - que ficam com a grana gerada pela prostituição infantil no país da rainha, dos lordes e dos Beatles.

De acordo com a Agência Ansa, a publicação do informe (23) coincidiu com o Dia Mundial contra a Escravidão, que comemora o bicentenário da abolição do comércio de escravos. Para Bil Bel, diretor da ONG, os dados do relatório mostram que a escravidão infantil "não é um problema do passado".

A pesquisa da ONG mostra que hoje tanto em países ricos como nos pobres, milhões de crianças são forçadas a levar uma vida de escravos em condições horríveis de humilhação e abuso.

Para a "Save the Children", essas crianças "são tratadas como produtos comerciais, prontos para serem emprestados ou vendidos a outros donos sem aviso".

Segundo a ANSA, o informe revelou que 1,2 milhão de crianças e bebês são traficados anualmente em países da Europa Ocidental, América e Caribe, e esclareceu que esse número está crescendo. Grupos criminosos vinculados ao tráfico de crianças e adultos ganham até US$ 32 bilhões por ano, segundo a ONG britânica.

No Brasil, a violência contra as crianças continua fazendo parte do cotidiano da vida do país. É só abrir o jornal que o caro leitor irá encontrar notícias mostrando casos de pais que matam os filhos e outros que violentam sexualmente suas filhas e colocam essas imagens em sites especializados em pedofilia.

E ganham dinheiro com isso

Violência maior contra as nossas crianças é saber que milhões delas são subnutridas e muitas acabam morrendo de fome a cada ano. Para se ter uma idéia desse quadro, basta lembrar que são elas as maiores vítimas da miséria que atinge um contingente expressivo dos brasileiros.

O índice de pobreza da população brasileira é de 27,6%, quando entre as crianças chega a 44%. As crianças negras, por exemplo, têm 78% mais chance de viver na pobreza do que as brancas; e as crianças das áreas rurais estão duas vezes mais expostas à pobreza do que as das regiões urbanas. Na região do semi-árido, onde vivem 13 milhões de crianças, 75% das crianças e dos adolescentes são classificados como pobres.

Olhando esses números que mostram a tragédia que vitima as crianças do planeta, me lembro de uma música da minha infância, “Criança Feliz”, cantada acho que pelo palhaço Carequinha. Uma letra ingênua que apostava na felicidade das crianças

“Criança feliz
Feliz a cantar
Alegre embalar
Seu sonho
Infantil
Oh, meu bom Jesus
Que a todos conduz
Olhai as crianças
Do nosso Brasil”

Pelo visto, Jesus anda meio ocupado

joel@agenciameios.com.br


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