Dois aeroportos brasileiros privados, duas vocações diferentes
Alexandre Rocha
ANBA
[08/08/2007]
São Paulo – Existem exemplos de aeroportos administrados por empresas privadas no Brasil, embora respondam por pouco do tráfego aéreo do país e sobre eles ainda girem mais expectativas do que resultados concretos. Um deles é o de Cabo Frio, na região dos Lagos no Rio de Janeiro, operado pela concessionária Costa do Sol desde 2001, após licitação feita pela prefeitura da cidade e pela Aeronáutica.
O aeroporto acaba de passar por obras de ampliação, cuja inauguração está programada para ocorrer em breve, e o presidente da administradora, Murilo Junqueira, está otimista com as perspectivas futuras, especialmente no setor de cargas.
"Dois fatos relevantes ocorreram desde que ganhamos a concessão: primeiro a crise na aviação mundial ocasionada pelo atentados de 2001 nos Estados Unidos; e depois a crise econômica na Argentina. Na época, a principal atividade do aeroporto eram os vôos que traziam turistas argentinos para Búzios. Depois da crise argentina, a concessionária teve dificuldades", disse Junqueira. "Então nós identificamos a demanda da indústria petrolífera pela importação de equipamentos", acrescentou.
A demanda é representada por empresas que fornecem produtos e serviços ou atuam na exploração de petróleo na Bacia de Campos, sediada principalmente em Macaé, no norte fluminense. Para atender o setor, a concessionária investiu inicialmente na construção de um terminal de cargas alfandegado.
Mais recentemente foram investidos 35 milhões de reais na ampliação da pista, do pátio e do sistema de segurança. A pista agora tem 2,6 mil metros e, de acordo com Junqueira, pode receber qualquer tipo de avião. Ele aposta também na diversificação das cargas, após a conclusão de um acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permitirá inspeção no local e o transporte de mercadorias que demandam esta fiscalização, como medicamentos.
De acordo com Junqueira, do total investido, 30 milhões de dólares vieram do Poder Público e 5 milhões de reais da concessionária. Após um ano de paralisação de pousos e decolagens por causa das obras, ele espera agora, além do aumento da quantidade de cargas, a volta dos vôos turísticos. O empresário diz que estão previstos dois vôos regulares de Buenos Aires aos sábados e domingos, além de vôos fretados provenientes também da Argentina e do Chile.
Na área de cargas, Junqueira espera que indústrias se instalem dentro da área do aeroporto para aproveitar as facilidades logísticas, alfandegárias e de fiscalização sanitária. "Estamos trabalhando dentro do conceito aeroporto-indústria", afirmou. Como diferencial, ele destaca preços mais baixos cobrados por serviços como armazenagem e manuseio de cargas do que os praticados por aeroportos maiores da região. A Costa do Sol opera também o Aeroporto de Angra dos Reis, no litoral sul do Rio.
Na Bahia
Outro exemplo é do Aeroporto de Porto Seguro, na Bahia. Lá a vocação é puramente turística. De acordo com o presidente da concessionária Sinart, Henrique Pedreira, hoje o aeroporto recebe cerca de 700 mil passageiros por ano, contra 400 mil em 2000, quando a concessão teve início.
Como no caso de Cabo Frio, no começo os turistas estrangeiros eram principalmente argentinos e também uruguaios, fatia hoje ocupada pelos europeus. Os visitantes brasileiros, no entanto, são maioria. Os vôos que pousam na pista de 2 mil metros são majoritariamente fretados.
De acordo com Pedreira, nos últimos anos foram investidos 3 milhões de reais em reformas e compra de equipamentos para o aeroporto. Ele diz que o negócio e rentável, mas os investimentos necessários são altos, o que reduz a margem de lucro. Além disso, o movimento é sazonal, limitados aos finais de semana e à alta temporada, entre janeiro e fevereiro. "Por isso aqui não há um comércio forte, como existe em aeroportos como o de Brasília, por exemplo", disse.
Pedreira disse ainda que sua empresa acaba de ganhar a concessão do Aeroporto de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele disse, no entanto, que o custo das operações é muito grande frente à receita, o que vai demandar uma complementação por parte do poder público.