busca

ok

Divulgação
Agencia_amazonia
Brasil vai exportar 8 milhões de toneladas de milho

Brasil colhe a maior safra de sua história

Joel dos Santos Guimarães*

AGÊNCIA AMAZÔNIA

[08/08/2007]

São Paulo - Mesmo com uma redução de 3,6% em sua área de plantio, de 47,87 milhões para 45,16 milhões de hectares, o Brasil vai colher a maior safra de grãos de sua história: 131,15 milhões de toneladas. Essa produção é 7% a da safra anterior, revelou ontem o diretor de Logística da Companhia Nacional de Abastecimento (Cobal), Silvio Porto.

Segundo Porto, a safra recorde foi impulsionada pelo desempenho das culturas de algodão, milho e soja, que registraram excelentes índices de produtividade média por hectare.

“A principal causa do crescimento foi o ajuste de produtividade do milho e do feijão.”, disse o diretor de Logística da Conab revelando ainda que o aumento de 7% na produção equivale a 8,62 milhões de toneladas de grãos.

O levantamento da Conab mostrou que um dos aumentos mais expressivos da safra 2006/07, em relação a anterior, é o do milho. A cultura registrou uma expansão de 19,1%, passando de 42,5 milhões de toneladas (2005/06) para 50,6 milhões de toneladas. A área cresceu 7,7%, saindo de 12,96 milhões de hectares para 13,96 milhões de hectares.

Além disso, o Brasil vai aumentar substancialmente suas vendas de milho para o mercado internacional.A expansão das vendas externas do cereal esta diretamente relacionada com o aumento do uso do milho para produção de etanol nos Estados Unidos, o que abriu novos espaços para o crescimento das exportações brasileiras de milho, que devem chegar a 8 milhões de toneladas, dobrando as 4 milhões de toneladas exportadas em 2006.

De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de milho desse ano será de 50,6 milhões de toneladas, 19,1% superior a do ano passado, de 42,5 milhões de toneladas. Por causa dos bons preços internacionais do cereal, hoje o país comercializa o produto bem acima da média histórica.

“O preço da tonelada exportada aumentou 39% no último ano. Passou da média de 115 dólares registrada nos últimos dez anos, para os atuais 160 dólares. Isso basicamente por conta do programa de etanol dos Estados Unidos”, diz Flávio Turra, gerente econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Soja

Outro destaque do ciclo 2006/07 é a soja, com crescimento de 6,2%. A produção, estima a Conab, passou de 55 milhões de toneladas para 58,42 milhões de toneladas. A área teve redução de 9,1%, caindo de 22,74 milhões de hectares para 20,68 milhões de hectares. Isso equivale a 2,062 milhões de hectares a menos nas lavouras da oleaginosa. Mesmo assim, a safra do grão terá acréscimo de mais de três milhões de hectares por causa do incremento da produtividade.

A produção de algodão em caroço também teve desempenho positivo. O aumento na safra 2006/07, em comparação a anterior, deve ser de 41,7%, saindo de 1,7 milhão de toneladas para 2,4 milhões de toneladas. A área cultivada passou de 856,2 mil hectares para 1,09 milhão de hectares, com crescimento de 27,8%. Os dados da Conab apontam ainda redução de 3,3% na colheita de arroz: de 11,7 milhões de toneladas para 11,3 milhões de toneladas.

Recuperando renda

A boa safra desse ano já permitiu uma certa recuperação no nível de renda dos produtores, o que é confirmado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para quem a estimativa de crescimento do VBP, que consiste no faturamento bruto agregado de 25 produtos, é de 13,69%, o que representa, em valores, 194,96 bilhões de reais, ante os 171,49 bilhões de reais de 2006.

Dos 194,6 bilhões de reais projetados, o VBP da agricultura deve atingir 118,4 milhões de reais, o equivalente a 60,7% do total das receitas da agropecuária. Destaque para o segmento de grãos, com faturamento estimado em 59,85 bilhões de reais, do qual as principais contribuições são da soja, algodão, milho e trigo.

Em relação à pecuária, a previsão é de que o VBP passe de 68,8 bilhões de reais em 2006 para 76,6 bilhões de reais este ano, uma ascensão de 11,3%, puxada principalmente pelo frango, cuja expectativa é de variação de 21,1% (19,76 bilhões de reais). Além disso, a CNA prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deva somar 564 bilhões de reais em 2007, crescimento de 4,5% em relação 2006.

A previsão foi feita com base no salto de 1,29% no PIB do agronegócio no acumulado dos primeiros quatro meses do ano. Em abril, o índice apresentou incremento de 0,54%, aumentando 0,79% no 1º quadrimestre e somando ganho de 2,29% apenas em abril.

IBGE

Pesquisa do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada ontem també apontam uma recuperação da agricultura brasileira depois de dois anos de crise.
De acordo com o IBGE, no primeiro semestre deste ano a agroindústria brasileira cresceu 4,6%, em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos primeiros seis meses de 2006, o crescimento tinha sido de 1,1% em comparação com o primeiro semestre de 2005. No acumulado de 2006, ficou em 1,5%. Os dados são de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, a expansão dos setores associados à pecuária, de 4,9%, superou a dos vinculados à agricultura, que foi de 4,2%.

"Nos anos de 2005 e 2006, a agricultura brasileira passou por uma série de dificuldades, como por exemplo, quebra de safra, principalmente na região Sul do país, que é uma importante produtora de grãos. Além disso, a agroindústria sofreu também com a queda nos preços internacionais de algumas commodities, como a soja, e a pecuária teve dificuldades devido a focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná", avaliou Fernando Abritta, da coordenação de Pesquisa Agropecuária do IBGE.

O economista ressaltou que as previsões continuam positivas para o setor. O IBGE estima para 2007 uma safra recorde de 133,4 milhões de toneladas de grãos, resultado 14% superior ao de 2006 e 7,3% maior do que a safra recorde de 2003.

Apesar da valorização cambial, segundo o instituto, as exportações contribuíram positivamente para a agroindustria, devido à elevação dos preços internacionais.

*Com informações do Mapa e Agência Brasil


Rua Heitor Penteado, 1900 - sala 32A - 3º andar

São Paulo – SP - Cep: 05438-300

Tel. (11) 3151 3416 e 3258 2174