Soja lidera as exportações do agronegócio brasileiro
Da Agência Meios especial para a Ansa
ANSA
[30/07/2007]
São Paulo - Com a soja novamente liderando as vendas externas da cadeia produtiva do agronegócio as exportações do setor devem fechar o ano com uma receita de US$ 57 bilhões. A previsão é da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No ano passado, as vendas para p exterior somaram US$ 49,4 bilhões.
O assessor técnico da CNA, Antonio Donizeti Beraldo estimou que o embarque do complexo soja, que totalizou US$ 5,3 bilhões no primeiro semestre, deve chegar a US$ 12 bilhões no ano. Já a exportação de carnes alcançou de janeiro a junho a cifra de US$ 5,224 bilhões e a previsão é de US$ 10 bilhões.
O milho teve suas vendas expandidas em 266,3% no acumulado do ano, somando US$ 499 milhões, e devendo ficar em US$ 1 bilhão em 2007. Esse crescimento se deve principalmente ao aumento da demanda por etanol e a menor oferta de milho no mercado norte-americano. Destaque também para o setor sucroalcooleiro, que aumentou suas vendas em 20,9%. Apesar da expansão de 27,3% nas exportações de café, houve queda de 22,7% no faturamento devido ao câmbio.
Com as exportações em alta, a balança comercial do agronegócio registrou saldo recorde de US$ 22,8 bilhões no primeiro semestre de 2007, o que representa expansão de 23,88% na comparação com o mesmo período do ano passado. O saldo foi a diferença entre US$ 26,75 bilhões das exportações e US$ 3,94 bilhões das importações.
Os dados da CNA mostram ainda que após dois anos consecutivos de grave crise, o PIB do agronegócio apresentou crescimento de 0,54% em abril, acumulando aumento de 1,29% este ano. Segundo os índices da CNA/Cepea-USP (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil/Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo), divulgados hoje, o PIB da agropecuária, que inclui as atividades desenvolvidas dentro da porteira das fazendas, cresceu 0,79% em abril, somando aumento de 2,29% no período. Mas os custos da atividade também estão em alta. Somente o PIB do segmento de insumos para a agricultura cresceu 0,93% em abril, atingindo 2,27% de crescimento no ano. "O produtor continua com a sua rentabilidade apertada", afirmou o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta Ferreira.
Os dados até abril mostram que, ao contrário do ano passado, há menor desequilíbrio entre os segmentos animal e vegetal. O agronegócio da agricultura cresceu 0,38% em abril, acumulando 1,07% no período, enquanto o agronegócio da pecuária aumentou 0,96% em relação a março, somando 1,83% de aumento nos quatro primeiros meses do ano. Segundo Cotta, o mercado externo firme e o aumento do poder aquisitivo das classes menos favorecidas explicam este cenário mais positivo para o setor. "Mas, até agora, esta recuperação ainda não representou renda para o produtor rural", afirmou.
O PIB da agricultura cresceu 0,57% em abril, o que revela uma desaceleração no crescimento do setor, cujo índice de expansão, em março, foi de 0,95%. No ano, o acumulado foi de 2,27% até abril. Milho, algodão, cana-de-açúcar e tomate tiveram os crescimentos mais expressivos em valores. Os dados apontam, também, para um aumento de 3,71% no volume médio de produção agrícola e pecuário de 2007 e de 2,86% nos preços em relação ao ano passado. Tomate, trigo e milho tiveram os maiores aumentos de preços, enquanto batata, cebola, feijão e mandioca sofreram fortes baixas nos preços pagos ao produtor.
Quanto à pecuária, os resultados foram mais favoráveis em abril, que registrou crescimento de 1,10%, acumulando 2,33% de expansão no ano. Os dados apontam para 3,51% de aumento no volume produzido e 3,49% nos preços pagos aos pecuaristas, puxados por frango e leite. No segmento industrial também há sinais de aceleração. Beneficiamento e óleos vegetais lideram o crescimento da agroindústria, com preços e volumes em expansão. A indústria de abate de animais cresceu 1,48% em abril, acumulando aumento acumulado de 2,76% no ano.