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Brilhante Ustra

Carlos Mattos

BRASILEIROS

[04/07/2007]

Brasília – Um dos homens mais temidos dos anos de chumbo, com seu nome invariavelmente associado a torturas, mortes e desaparecimentos de militantes de esquerda, o coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, nega as acusações feitas pela família Teles, que move ação na Justiça Civil de São Paulo para que ele seja declarado “torturador”.

Arredio à imprensa, prefere não dar entrevistas sobre o caso. “Tudo que tinha para falar está no meu livro A Verdade Sufocada”. Nele, o militar reformado dá sua versão sobre o episódio, classificando de “mentirosas” as denúncias dos Teles.

Aos 74 anos e morando em Brasília, Brilhante Ustra quer distância de jornalistas. Procurado duas vezes por Brasileiros, recusou o pedido de entrevista. “O caso está na Justiça. Sempre que dou entrevista acabo me prejudicando”, alegou na primeira vez, recomendando uma visita a seu site: www.averdadesufocada.com.

No segundo contato, não atendeu ao telefone. Do outro lado da linha estava sua mulher, Joseíta Brilhante Ustra, que reiterou os motivos do marido para não desejar ser entrevistado.

Em "A Verdade Sufocada", entretanto, Brilhante Ustra, rememora o caso. Para rebater a denúncia, incluiu um trecho sobre o episódio na segunda edição – “revista e ampliada” – do livro, lançado no ano passado. No capítulo No Banco dos Réus?, o coronel reformado aborda a prisão da família Teles em duas páginas e meia, nas quais parte para o contra-ataque:

“O que pretendem esses meus acusadores, além de, com as suas mentiras, habilitarem-se a pleitear gordas pensões e indenizações à custa do contribuinte e sob o beneplácito desse governo ‘magnânimo’?”, pergunta, ignorando o fato de que a ação movida pela família Teles não pleiteia nenhuma forma de compensação monetária.

Em seu livro, o militar reformado que ficou conhecido como “Major Tibiriçá” nos anos 70 – época em que comandou o Destacamento de Operações e Centro de Informações de Defesa Interna (DOI-Codi), centro da Operação Bandeirantes (OBAN) – narra em detalhes sua versão sobre a prisão da família Teles.

“Ao final de dezembro de 1972, a gráfica clandestina do PC do B foi localizada e ‘estourada’. Os responsáveis por esse “aparelho de imprensa” eram Maria Amélia Teles e seu marido, César Augusto Teles. Na ocasião, estavam com eles os dois filhos do casal – Janaína, de 5 anos, e Edson Luís, de 4 anos –, além de Criméia Schmidt de Almeida, irmã de Maria Amélia, que se fazia passar por babá das crianças. Os adultos foram presos e as crianças, como não poderiam ficar sozinhas, foram conduzidas para o DOI-Codi.”

Brilhante Ustra conta que contatou familiares dos presos. “Creio que em Minas Gerais ou no Rio de Janeiro.” Os parentes de Maria Amélia e César Augusto pediram alguns dias de prazo para chegarem a São Paulo. “Decidi que, enquanto aguardávamos a chegada dos tios, as crianças permaneceriam sob o cuidado do Juizado de Menores. Nesse momento, Maria Amélia e César Augusto pediram para que seus filhos não fossem para o Juizado.”

Brilhante Ustra segue a narrativa, apresentando-se como um homem generoso, embora comandasse, à época, o principal órgão de repressão do regime militar. “Uma policial militar, que assistia ao diálogo, se ofereceu para ficar com Janaína e Edson Luiz até a chegada de seus tios, desde que os pais concordassem com o oferecimento, o que foi feito na hora pelo casal. Movido mais pelo coração do que pela razão, achei que essa era a melhor solução. As crianças foram levadas para a casa da agente. Para que não sentissem a falta dos pais, diariamente eram conduzidas ao DOI para ficar algum tempo com eles. Isso se repetiu até a chegada dos parentes. Nesse dia, Janaína e Edson Luís foram entregues aos seus tios, na presença dos pais.”
Depois disso, revela Brilhante Ustra em suas memórias da repressão, Maria Amélia foi interrogada na Operação OBAN. Segundo ele, a militante “abriu um ponto normal (encontro marcado, com hora e local definidos)”, que teria com outro companheiro do PC do B, que também acabou preso. O coronel reformado não descreve, entretanto, as circunstâncias em que ela “abriu o ponto”, mas mostra-se desapontado com relatos sobre a prisão.


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