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Vem aí a revolução do pensamento

UNFPA

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[28/06/2007]

São Paulo - A humanidade terá que passar por uma "revolução do pensamento" para lidar com a duplicação das populações urbanas na África e na Ásia até 2030, adverte o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). No novo relatório lançado hoje, Situação da População Mundial 2007: Desencadeando o Potencial do Crescimento Urbano, a organização afirma que, ao longo dos próximos 30 anos, a população das cidades africanas e asiáticas dobrará, acrescentando 1.7 bilhão de pessoas — mais do que as populações da China e dos Estados Unidos juntas.

"O destino das cidades da África, da Ásia e de outras regiões moldará nosso futuro comum," afirma a Diretora Executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid. "Devemos abandonar uma mentalidade contrária à urbanização e agir agora para iniciar um esforço global articulado no sentido de ajudar as cidades a desencadear seu potencial para fomentar o crescimento econômico e resolver os problemas sociais."

Para aproveitar as oportunidades potenciais, os governos devem preparar-se para o crescimento que está por vir. "Se esperarem, será tarde demais," ela diz. "Essa onda de urbanização é inédita. As mudanças são grandes demais e rápidas demais para permitir que os planejadores e formuladores de políticas simplesmente reajam: na África e na Ásia, o número de pessoas vivendo nas cidades aumenta em aproximadamente 1 milhão, em média, a cada semana. Os líderes precisam ser proativos e adotar uma visão de longo prazo para explorar integralmente as oportunidades que a urbanização oferece."

De acordo com o relatório, a partir de 2008, mais da metade dos atuais 6.7 bilhões de habitantes do planeta viverá nas cidades. Embora as mega-cidades (mais de 10 milhões de habitantes) continuarão a crescer, a maioria das pessoas viverá nas cidades de 500.000 habitantes ou menos.

Até 2030, a população urbana aumentará para 5 bilhões, ou 60% da população do mundo. Globalmente, todo o crescimento futuro da população ocorrerá nas cidades, quase todo na Ásia, na África e na América Latina. Na Ásia e na África, isso sinaliza uma mudança decisiva do crescimento rural para o urbano, alterando um equilíbrio que perdurou por milênios.

A urbanização — o aumento da parcela urbana da população total — é inevitável, segundo o relatório, e pode ser considerada um desenvolvimento positivo. Nenhum país na era industrial conseguiu atingir um crescimento econômico significativo sem a urbanização.

O Relatório sobre a Situação da População Mundial 2007 alega que, embora a maioria dos novos habitantes urbanos será pobre, eles devem ser parte da solução. Ajudá-los a atender suas necessidades — de habitação, atenção à saúde, educação e emprego —também pode desencadear o potencial dos moradores urbanos para promover o crescimento econômico.

"A batalha dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para reduzir a extrema pobreza pela metade até 2015 será ganha ou perdida nas cidades do mundo em desenvolvimento," afirma a Sra. Obaid. "Isso significa aceitar os direitos das pessoas pobres de morar nas cidades, e trabalhar com a criatividade delas para enfrentar os problemas potenciais e gerar novas soluções."

Com freqüência, os governos nacionais e municipais reagem ao crescimento urbano tentando desencorajar, impedir ou mesmo reverter a migração, afirmam os autores do relatório — apesar do fato de que a migração pode até ser benéfica. Mas é uma política fracassada, que resultou em menos casas para os pobres e maior crescimento das favelas. Também limita as oportunidades para que os pobres urbanos melhorem suas vidas e contribuam plenamente para suas comunidades e bairros.

De acordo com o relatório, as prefeituras e os planejadores urbanos devem priorizar o atendimento das necessidades de habitação dos pobres urbanos. Devem oferecer a propriedade segura de lotes com infra-estrutura básica, incluindo abastecimento de energia, água e saneamento. As pessoas que vivem em comunidades pobres devem ter acesso à educação e à atenção à saúde, e devem ser incentivadas a construir suas próprias casas.

A maior parte do crescimento urbano resulta do crescimento vegetativo, e não da migração. Para reduzir o ritmo do crescimento, os formuladores de políticas devem apoiar intervenções como iniciativas de redução da pobreza, investimento no empoderamento das mulheres, educação —particularmente das mulheres e meninas — e saúde, incluindo serviços de saúde reprodutiva e de planejamento familiar.

A metade da população urbana tem menos de 25 anos de idade. O suplemento sobre a juventude, Crescendo no Meio Urbano, conta as histórias de 10 jovens que migraram para a cidade ou que estão crescendo nela. Destaca também as necessidades especiais dos jovens — educação e atenção à saúde, proteção contra a violência, emprego e integração à sociedade em geral. O atendimento dessas necessidades ajudará muitos jovens a escapar de uma vida na pobreza.

Os formuladores de políticas e os planejadores precisam aproveitar o potencial das cidades para melhorar as vidas de todas as pessoas. Três iniciativas se destacam:

·Aceitar o direito dos pobres à cidade, abandonando as tentativas de desencorajar a migração e impedir o crescimento urbano. As prefeituras devem trabalhar em estreita colaboração com organizações de pessoas pobres urbanas, incluindo organizações de mulheres.

·Adotar uma visão ampla e de longo prazo do uso do espaço urbano. Isso significa, entre outras coisas, oferecer lotes com infra-estrutura básica para habitação, planejar antecipadamente para promover o uso sustentável do espaço, tanto dentro das cidades quanto no entorno delas.

·Iniciar um esforço internacional integrado para apoiar estratégias em prol do futuro urbano.

O kit completo para a mídia do Relatório sobre a Situação da População Mundial 2007 está disponível no endereço www.unfpa.org/swp


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