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Energia alternativa é saída para Amazônia

Chico Araújo

EM LINHA

[01/06/2007]

Brasília (da Agência Amazônia) -Responsável por quase metade do potencial energético Brasil (120 milhões de megawatts), a Amazônia enfrenta uma situação paradoxal nesse quesito. A região tem hoje a menor cobertura de domicílios atendidos com eletricidade dentre todas as regiões do País. Ou seja, mais de um milhão de casas não têm acesso ao serviço.

A energia efetivamente produzida na Amazônia restringe-se a 10% (12,23 milhões MW) do seu potencial. A demanda por energia tem aumentado com a crescente atividade minerária e siderúrgica. E, para suprir a necessidade pelo aumento do plantel industrial e pelo crescimento dos centros urbanos, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, o governo federal planeja construir hidrelétricas de pequeno, médio e grande portes na Amazônia. São mais de 100 previstas.

Ao optar por mais hidrelétricas, o governo estimula a destruição ambiental. Por ser a Amazônia uma região de baixa altitude, quase todas as barragens comportam o alagamento de grandes áreas de floresta, com impacto ambiental significativo. Exemplo disso é a Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Para a usina produzir 8.400 MW, por exemplo, foram inundados 243 mil hectares de floresta, destruindo assim um rico ecossistema.

Hoje, os benefícios de Tucuruí para as populações são ínfimos. Metade da energia ali produzida é destinada, a preços fortemente subsidiados, só para sois consumidores do setor mineiro: a Albrás/Alunorte, no Pará, e a Alumar, no Maranhão. Para o Nordeste vão 20% e os 30% restantes destinam-se ao consumo residencial, comercial e industrial do Pará, Tocantins e Maranhão.

Como a ocupação originária da Amazônia deu-se pelos rios, pode-se concluir que parte da população ribeirinha teve e ainda terá que ser deslocadas de suas áreas para ceder lugar à barragens, uma vez que o governo promete investir na construção de novas hidrelétricas na Amazônia, como as polêmicas Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia.

Nas áreas onde se constrói essas usinas, as populações nunca são devidamente indenizadas pelos prejuízos e são remanejadas em condições quase sempre piores. Foi assim com os ribeirinhos na construção das usinas de Tucuruí, no Pará, de Balbina, no Amazônia, e Samuel, em Rondônia. E, agora, a situação tende-se a repetir.

Outro fato preocupante nessa questão. A energia produzida na Amazônia, quando consumida pelos grandes complexos industriais e de mineração, é vendida a custos competitivos e muito abaixo do custo cobrado pelo consumo familiar. Ou seja, o pequeno consumidor é quem acaba financiando os empreendimentos industriais.

E o que resta para a Amazônia? Os impactos ambientais. E o que é mais grave: não existem medidas compensatórias que paguem esse serviço a mais que a Amazônia presta ao país. Daí, torna-se urgente, e indispensável, se pensar medidas alternativas de produção de energia que diminuam a agressão ambiental e não penalizem as populações amazônidas.


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