Destrava língua
Débora Rubin e Geovana Pagel
ANBA
[19/06/2007]
São Paulo - O taxista Ludovico Ciaramicoli, 60 anos, já perdeu a conta do número de estrangeiros que levou em seu táxi em 25 anos de profissão na capital paulista. Até o começo do ano passado ele não falava nenhuma palavra em inglês e vivia frustrado porque não conseguia fidelizar os passageiros estrangeiros. Mas desde que participou de um curso básico da língua inglesa sua rotina mudou e - o que é melhor, seu faturamento aumentou.
"O taxista muitas vezes é o primeiro contato do turista com a cidade, e como já diz aquele velho ditado: a primeira impressão é a que fica", garante. "Antes eu levava a pessoa até o hotel e não conseguia dizer que estava a sua disposição para buscá-la depois ou para os passeios que ela quisesse fazer", conta.
"Agora os passageiros percebem minha boa vontade em dialogar e acabam preferindo um motorista que tenta falar sua língua. Já no primeiro mês eu percebi um aumento de 15% no meu faturamento", comemora.
Além disso, Ludovico fez até uma espécie de parceria com uma universidade de São Paulo, a Faap. "Eles sempre recebem alunos de outros países para o curso de Relações Internacionais. Muitas vezes eles não têm ninguém para recepcionar a pessoa no aeroporto. Desde que eu aprendi o básico do inglês eles passaram a ter confiança no meu trabalho e eu mesmo faço a recepção dos estrangeiros", diz.
"Eu até já treinei outros colegas taxistas para que eles saibam como receber a pessoa e deixá-la tranqüila. São Paulo está recebendo mais turistas estrangeiros, precisamos estar mais preparados", ensina.
O curso de inglês que ajudou Ludovico em seu trabalho faz parte de um projeto de capacitação para taxistas da prefeitura de São Paulo, por meio da São Paulo Turismo, desenvolvido junto com o Sindicato dos Taxistas e da Associação das Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo (Adetax). "Desenvolvemos cursos com características próprias para o trabalho de taxista. Com dicas bem práticas como, por exemplo, perguntar de onde vem, para onde quer ir e o valor da corrida", explica o presidente da Adetax, Ricardo Auriemma.
O curso básico é de 24 horas aula e dura três meses - é gratuito e as turmas têm em média 40 alunos. "Já formamos 350 motoristas em inglês e 100 em espanhol", comemora Ricardo. Segundo ele, ao longo do curso eles contam as situações mais inusitadas e as maiores dificuldades do dia-a-dia. "É muito gratificante quando você percebe o momento que eles conseguem se comunicar com o turista", conta.
Ainda dentro do programa de capacitação, 22 mil taxistas receberam o ‘kit turista’ composto de dois CDs educativos. O primeiro CD, gravado em oito idiomas - alemão, japonês, chinês, francês, inglês, espanhol, italiano e português -, dá as boas-vindas ao turista. "Assim que ele entra no táxi é informado sobre pontos da cidade, número de cinemas, teatros, shoppings, centros culturais e a diversidade gastronômica daqui", explica o presidente da Adetax.
O segundo CD foi produzido para informar melhor os taxistas. Ele contém várias informações sobre a cidade, o que existe de mais importante nas diferentes regiões, roteiros culturais e dicas de entretenimento, além de instruções sobre como abordar o passageiro, os diferentes tipos de turistas que visitam a cidade e como conquistar a confiança do passageiro.
Dicas que o taxista Ludovico segue à risca. "O CD tem as palavras e expressões mais usadas em cada idioma como bom dia, boa noite, por favor, com licença, obrigado", conta.