Diversificando a pauta
Joel dos Santos Guimarães
FRONTEIRA SUL
[19/01/2012]
A demanda dos países árabes por mercadorias brasileiras, que na década passada era concentrada em produtos básicos, vem se diversificando nos últimos anos. É o que revela Rodrigo Solano, gerente de Negócios e Mercados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Segundo ele, desde o ano passado, a entidade tem registrado um interesse crescente dos árabes por uma gama de produtos além daqueles que tradicionalmente eles já compravam do Brasil. O crescimento da economia brasileira, a sexta maior do mundo, mudou a percepção dos árabes, que hoje já não enxergam o país apenas como fornecedor de commodities.
Solano lembra que, até recentemente, o interesse dos árabes se restringia à importação. Principalmente de açúcar e minério de ferro, que ainda hoje representam quase a metade de tudo que o exportamos para o mundo árabe. As venda de açúcar, por exemplo, quintuplicaram nos últimos dez anos.
Valor agregado
Com o crescimento e a diversificação da indústria brasileira, além de alimentos, os árabes têm ampliando a pauta de importações de produtos nacionais. É cada vez maior, por exemplo, o interesse dos países árabes em comprar madeira, papel, produtos para hotelaria e artigos para cozinha e lazer.
“Uma análise mais detalhada da natureza das importações e necessidades dos mercados internos dos países árabes apontam demandas em valor absoluto por maquinários e outros bens de valor agregado. Vale lembrar que, considerando a importação per capita por países, quando se trata de alimentos, moda e material de construção, as importações desses produtos pelos árabes é maior que a média mundial”, explica Solano.
Ano das oportunidades
Diante desse quadro, o gerente de Negócios e Mercados da Câmara entende que o ano de 2012 pode proporcionar grandes oportunidades para o comércio exterior brasileiro. Apesar dos problemas políticos vividos por alguns países árabes, as projeções econômicas para a região como um todo são positivas.
“Com base nos dados do Economist Intelligence Unit, é possível estimar que este ano o crescimento econômico médio para os países árabes será superior a 4%, devendo chegar a US$ 3 trilhões”, afirmou.
De acordo com Solano, para atender as necessidades de consumo de uma população de 360 milhões de habitantes este ano, as importações dos países árabes devem chegar a US$ 735 bilhões, um crescimento de 8,5% em relação a 2011. Projeções também mostram que a média de crescimento da renda per capita na região será de 8%.
“Sem dúvida é um mercado atraente e que vê cada vez mais o Brasil como parceiro”. Para ele, se as commodities já fazem parte do dia a dia dos árabes, a grande diversidade industrial brasileira poderá contribuir para a maior variedade da pauta de exportações. E para o aumento das vendas externas daqui para aquela região do mundo.