Receita cresce, volume cai
Joel dos Santos Guimarães
FRONTEIRA SUL
[05/01/2012]
No ano passado, as exportações brasileiras de máquinas agrícolas geraram uma receita de US$ 18,3 bilhões, um crescimento de 37,7% em relação a 2010. No entanto, em unidades exportadas houve uma queda de 4,7% em relação às 19.176 máquinas agrícolas que o Brasil vendeu para o mundo no ano passado.
Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a expansão da receita pode ser atribuída também a alterações no mix de produtos exportados e também a uma certa recuperação de preços no mercado externo.
Nos últimos anos, a redução no número de unidades exportadas tem sido uma constante. Basta lembrar que, em 2004, por exemplo, as exportações do setor ultrapassaram a 31 mil unidades.
América do Sul e África continuam sendo os maiores blocos compradores, respondendo respectivamente por 57,3% e 15% das vendas externas do setor. A Argentina é o maior importador, respondendo por 27% das vendas de máquinas agrícolas brasileiras no mercado internacional.
No continente africano, quatro países árabes- Egito, Argélia, Marrocos e Tunísia -importam máquinas agrícolas do Brasil. No Oriente Médio, tratores e colhetadeiras made in Brazil estão presentes nos Emirados Árabes, Arábia Saudita, Egito, Iêmen e Iraque. Somados, os países árabes compraram em 2010 do Brasil 2.300 máquinas agrícolas.
No ano passado, a produção brasileira de máquinas agrícolas foi de 81,8 mil unidades. Deste total, 65,3 mil foram destinadas ao mercado interno, uma queda de 4,7% em relação a 2010. Para 2012, a Anfavea prevê para o segmento uma estabilidade em termos de produção, mercado interno e exportações.
Vozes da seca
No Paraná, estado que responde por 25% da produção nacional de grãos, a estiagem já causou uma quebra de 2,55 milhões de toneladas de soja, milho e feijão, o que representa um prejuízo de R$ 1,52 bilhões aos agricultores paranaenses.
Levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná, mostra ainda que a quebra da produção provocada pela falta de chuvas representa 11,5% da safra paranaense de grãos de verão, que era estimada em 22,13 milhões de toneladas.
Reduzir para crescer
Nos próximos dez anos, o consumo de energia no país deverá registrar um crescimento anual de 4,5%. É o que revela um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, que mostra ainda que a demanda nacional deve ultrapassar os 472 mil gigawatts-hora (GWh) consumidos em 2011 para 736 mil GWh em 2021. O crescimento da demanda de energia será inferior à estimativa de crescimento da economia, de 4,7% ao ano.
Entre os setores da economia, o comércio deverá ter o maior aumento na demanda por energia na próxima década: 5,8% ao ano. Já o consumo do setor residencial deverá crescer 4,5% e o do setor industrial 4,4%.
A EPE estima ainda que será possível economizar 32,2 mil GWh em 2021, por meio da eficiência energética. O volume é equivalente ao que será produzido pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída no Pará e é hoje uma das principais obras do governo.