Mercado promissor
Joel dos Santos Guimarães
FRONTEIRA SUL
[09/12/2011]
De janeiro a novembro, as exportações da indústria brasileira de máquinas e equipamentos para os países árabes geraram uma receita de US$ 307,38 milhões, o que representou um crescimento de 35% em relação ao mesmo período do ano passado. Além dos mercados tradicionais, como Árabia Saudita, Egito, Emirados Árabes e Argélia, o setor metalmecânico do país tem expandido suas vendas, principalmente de máquinas agrícolas, para o Sudão.
Por seu imenso potencial agrícola e pela disposição do governo local em expandir sua agropecuária, o país árabe vem despertando a atenção de investidores estrangeiros, brasileiros inclusive, interessados em participar de projetos agrícolas por lá. Isso representa uma oportunidade para as empresas de máquinas e equipamentos do Brasil ampliarem sua participação no fornecimento de bens de capital para os sudaneses.
Crescimento
Os dados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira mostram que máquinas e equipamentos fabricados no Brasil já fazem parte do dia-a-a dia da cadeia produtiva da agricultura do Sudão. Exemplo disso é o crescimento constante das vendas externas de máquinas e equipamentos daqui para aquele país árabe.
De fato, de janeiro a novembro deste ano, as vendas externas de máquinas (principalmente agrícolas) para os sudaneses geraram uma receita de US$ 14,9 milhões, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2010.
Por sua vez, o Sudão já deixou claro que deseja ampliar as importações de máquinas brasileiras. E ainda estabelecer parcerias na área técnica para modernizar sua agricultura e ampliar a sua produção.
Tecnologia
Dessa forma, o trabalho de tecnologia e pesquisa desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o mesmo que tornou o Brasil uma potência agrícola mundial, pode contribuir para o aumento dos níveis de produtividade da agricultura do Sudão. Isso ainda pode ser útil para os índices de segurança alimentar da sua população, além de aprimorar as instituições nacionais de pesquisa e desenvolvimento do país árabe. A Embrapa já tem diversos convênios com o Sudão.
Especialistas em agricultura não têm dúvidas de que, com terras férteis e a expansão de sua área agrícola, o Sudão tem condições de, a médio e longo prazo, se tornar um dos grandes produtores mundiais de alimentos.
Plano de desenvolvimento
O jornalista da ANBA Alexandre Rocha, que esteve recentemente no Sudão, informa que o país árabe lançou, em outubro, um plano de desenvolvimento agropecuário que tem por objetivo substituir, com a renda do campo, a perda de receita do petróleo que o país teve após a separação entre Norte e Sul. O Sul ficou com cerca de 75% da produção petrolífera.
O país ainda tem 80% de sua área cultivável disponível, água em abundância e mão de obra, sendo a nação árabe mais propícia para o desenvolvimento da agricultura. São 200 milhões de feddans, medida local, ou 84 milhões de hectares que podem ser utilizados na produção. Nesse sentido, o Sudão terá papel importante na garantia da segurança alimentar da região.
A nação africana tem recursos naturais e humanos, mas carece de financiamento e tecnologia. Nesse sentido, há um grande potencial de mercado para produtores e empresas brasileiras que podem oferecer know-how, sementes e outros insumos, máquinas e equipamentos e crédito, especialmente por meio de linhas de incentivo às exportações brasileiras. Os sudaneses têm um grande interesse nos negócios com o Brasil. Outra fonte de dinheiro são os países do Golfo, ricos em petróleo, mas pobres em áreas agrícolas.
Vitrine
Uma oportunidade para os empresários brasileiros conhecerem de perto as oportunidades oferecidas pela Sudão é a Feira Internacional de Cartum, mostra multsetorial que, além da exposição de produtos dos países participantes, reúne empresários do setor de máquinas agrícolas, alimentos e construção civil, entre outros.
Com um estande de 52 metros quadrados, organizado e coordenado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira com capacidade para seis empresas brasileiras, O Brasil estará presente no evento, que será realizado de 25 de janeiro a 01 de fevereiro de 2012.
Objeto do desejo
Com a economia crescendo mais do que a do país, o Paraná vem atraindo investimentos para diversos setores da cadeia produtiva do estado, entre eles o da construção civil. A Votorantin Cimentos, por exemplo, vai destinar R$ 625 milhões para a expansão de sua fábrica, no município de Rio Branco, na região metropolitana de Curitiba.
Isso permitirá que a empresa aumente em 50% a capacidade produtiva da unidade paranaense, passando de 4 mil toneladas para 6 mil toneladas de cimento por ano. A expansão da fábrica deve ser concluída no próximo ano, gerando mil empregos diretos e indiretos, além de 1500 vagas durante a construção.
Recorde dos recordes
Os portos de Paranaguá e Antonina, no Paraná, movimentaram, de janeiro a novembro deste ano, 38 milhões de toneladas. A previsão é de que esse volume feche o ano em 41 milhões de toneladas. A receita cambial gerada pelas exportações ficou próxima de US$ 16 bilhões.
Até o mês passado, haviam sido embarcados, entre outros produtos, 6,7 milhões de toneladas de soja, volume 13% maior ao recorde de exportações do produto, registrado em 2003.
Dados da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) revelam ainda que as exportações de açúcar também superaram o recorde de 2010, atingindo no mês passado mais de 4 milhões de toneladas embarcadas.